segunda-feira, 8 de março de 2010
A noite em que as mulheres foram mais duronas no Oscar
Pois é, mais uma vez cumpro o meu ritual e assisto, sem piscar os olhos, a cerimônia do Oscar. Acompanhei tudo pela TNT, pois achei um absurdo a Globo só exibir depois do BBB, quase à meia-noite desta segunda-feira, com um monte de prêmios já dados. Mas quase não consegui ver, porque a emissora a cabo teve vários problemas de transmissão. Mas vamos ao que interessa.
A cerimônia do Oscar deste ano teve muitas novidades, mas nenhuma delas foi de grande impacto ou causou melhoras em relação aos anos anteriores. Bom, talvez uma, se você não suportava números musicais das canções indicadas ao prêmio (alguns deles eram constrangedores mesmo). Aumentaram a duração das homenagens e, admito, uma delas me tocou em especial: a que foi feita para o diretor/roteirista John Hughes, que criou clássicos para a minha adolescência, como Curtindo a Vida Adoidado, A Garota de Rosa Shocking, ou mesmo Mulher Nota Mil (um dos meus prazeres proibidos, admito). Além desses, Hughes fez uma das melhores comédias de Steve Martin, Antes Só do Que Mal Acompanhado e escreveu os roteiros da série Esqueceram de Mim. Foi ótimo ver alguns dos atores revelados em seus filmes, como Molly Ringwald, Matthew Broderick, Jon Cryer, Judd Nelson e Macaulay Culkin, num tributo mais do que merecido. Já as outras homenagens não foram tão impactantes, como o especial sobre filmes de terror e o que lembrava os profissionais do cinema que faleceram ficou apenas interessante com a apresentação de James Taylor cantando In My Life.
Este ano, foram dois apresentadores, Steve Martin e Alec Baldwin. Embora se mostrassem em sintonia, algumas de suas piadas não funcionaram como esperado. Aliás, o que foi o George Clooney olhando de cara feia para o Baldwin? Perdi alguma coisa? Acho que vou mandar um e-mail para a academia pedindo o Ben Stiller ou mesmo a volta do Billy Cristal no ano que vem.
Falando no Ben Stiller, tenho que admitir que, mais uma vez, ele roubou a cena na hora de apresentar um prêmio, como foram nas edições anteriores. Totalmente maquiado como um dos personagens de Avatar, ele fez gracinhas com o James Cameron, que mostrou espírito esportivo, e ainda brincou com o fato da cauda de sua fantasia ser "controlada" por uma vara de pescar, ao dizer que o cinema evoluiu muito. Palmas para ele!
Quanto às premiações, não houve grandes surpresas e foi até tedioso em alguns momentos. Todos sabiam que Christoph Waltz e Mo'Nique iriam ganhar como Ator e Atriz Coadjuvantes em Bastardos Inglórios e Preciosa, assim como Up - Altas Aventuras levaria a estatueta de Melhor Aminação. As únicas coisas que pareceram fora de ordem foram o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, já que davam como certo que o vencedor seria o texto de Amor Sem Escalas e acabou indo para Preciosa, onde o roteirista, na hora de agradecer, admitiu ter dado um branco nele para lembrar todas as pessoas no seu discurso, devido à forte emoção. Outra surpresa foi O Segredo dos Seus Olhos, da Argentina, bater o franco favorito A Fita Branca, da Alemanha.
Também não foram surpreendentes as vitórias de Jeff Bridges e Sandra Bullock como Melhor Ator e Atriz, respectivamente. Os dois fizeram discursos longos, onde, aparentemente, não deixaram de lembrar ninguém. Aliás, nada como um dia após o outro, né Sandra? Após ter ganho o Framboesa de Ouro como Pior Atriz em All About Steve, deve ter sido ótimo para ela ter sido ovacionada pelo público por ganhar seu Oscar. Agora é ver se no próximo ano, a Mery Streep ganha, finalmente.
Finalmente, a batalha decisiva entre James Cameron e Kathryn Bigelow acabou com a vitória dela sobre o ex-marido. Mesmo com a desastrada ideia de um dos produtores de enviar e-mails para membros da Academia para prestigiar Guerra ao Terror em detrimento a Avatar, deu tudo certo para o filme de baixa produção, que foi ignorado até pelos distribuidores brasileiros (já está disponível em DVD). Ela (muito bonita, por sinal), como disse Barbra Streisand antes de anunciá-la como vencedora de Melhor Direção, fez história sendo a primeira mulher a ganhar nesta categoria. Sua produção ganhou o Oscar principal da noite, anunciado por um apressado Tom Hanks. Resta agora as pessoas descobrirem este filme. Quanto a Cameron, teve que se contentar com apenas três estatuetas: Fotografia, Efeitos Visuais e Direção de Arte. Desta vez, o Rei do Mundo ficou a ver navios.
Bom, assim foi o Oscar 2010. Agora é, mais uma vez, aguardar o que vem por aí para 2011.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Pipoca azul e em 3-D
Pois é, depois muuuuuuuuuito tentar, finalmente consegui ver o blockbuster bicho papão de bilheteria Avatar, com tudo a que tinha direito: exibição em 3-D, muita pipoca e refrigerante. Porque sabia que, para absorver toda a experiência que é a nova produção de James Cameron (que não filmava desde 1997, quando Titanic dominou o mundo - e os Oscars) tinha que ser desta maneira.
Mas vamos ao filme em si. Para quem achava que Cameron havia se enferrujado após anos praticamente desaparecido do mapa (ele só dirigiu alguns documentários sobre o fundo do mar e episódios da finada série de TV Dark Angel, sem contar uma hilária participação na série Entourage, onde apareceia como o diretor de um filme sobre Aquaman!!!), teve uma agradável surpresa. Em cada imagem de Avatar, é possível ver a marca de sua direção, mesmo nos momentos onde a computação gráfica impera, ao mostrar os segredos do planeta Pandora e a tribo dos Na'vi. Ele sabe, como poucos, fazer o expectador ficar preso à cadeira com suas ótimas cenas de ação, se emocionar nos momentos de maior tensão da trama e torcer para que os mocinhos vençam e os bandidos paguem por seus crimes. Aliás, Cameron também mostra como é bom diretor de atores, onde tem um grupo homogêneo como o novo astro Sam Worthington (O Exterminador do Futuro - A Salvação), a consagrada Sigourney Weaver (Alien) e o veterano, porém pouco lembrado Stephen Lang, e tira deles boas atuações, que tornam a produção ainda mais atraente.
Um destaque à parte vai para a atriz Zöe Saldana (a Uhura de Star Trek)), que ela vive Neytiri, uma membro dos Na'vi. Ela mostra uma expressão corporal impressionante e as emoções mostradas no seu rosto são tão cativantes que, depois de um tempo, você se esquece que está diante de um ser digital. Um exemplo está na cena da morte de um personagem importante para ela. Suas reações não transparecem em nenhum momento que a atriz está, na verdade, ligada a computadores para captar seus movimentos, tamanha é sua entrega na cena em questão. Além disso, a expressão de seus olhos, que sempre foram o calcanhar de Aquiles em produções anteriores, como O Expresso Polar, dessa vez se mostra muito mais eficiente, fazendo Neytiri mais sedutora.
Mas nem tudo é maravilhoso em Avatar. O principal problema do filme está em seu roteiro, muito clichê em alguns momentos. A trama lembra filmes como Dança com Lobos, O Último Samurai ou o hoje pouco lembrado Um Homem Chamado Cavalo, onde o protagonista muda seu modo de viver ao conviver com um grupo diferente do qual estava acostumado. A mensagem ecológica da produção também pode aborrecer às pessoas que acham o Greenpeace chato, por exemplo. Talvez por isso que, mesmo com a bilheteria astronômica que tem até agora, o filme não é uma unanimidade.
Isso, no entanto, não estraga o prazer ver uma obra com tantas coisas singulares quanto Avatar. O filme mostra novas formas de usar o 3-D (como a colocação das legendas, que ficam "flutuando" entre os personagens ou algum elemento de cena) e como se pensar novas produções com essa nova tecnologia. Já anunciaram até que o novo Homem Aranha será feito dessa maneira. Vamos ver no que vai dar.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A bad trip do tenente mau
Vou confessar duas coisas: ainda não consegui ver Avatar no cinema por questões de agenda e a minha insistência em assisti-lo apenas em 3D, já que a procura por ingressos para esse tipo de sessão está, realmente, complicada. A segunda, é sobre a versão original de Vício Frenético, feita nos anos 80 por Abel Ferrara e protagonizada por Harvey Keitel: também nunca a vi. Portanto, este texto sobre o mais recente filme de Werner Herzog não fará uma comparação entre o primeiro filme e o remake, combinado?
Assisti ao filme como plano B, após mais uma tentativa frustrada de ver o novo arrasa-quarteirão de James Cameron, já que uma parte de mim estava curiosa para ver se Nicolas Cage estava atuando tão bem quanto eu lia em vários sites, blogs e publicações. E realmente ele não decepcionou. Acostumado a fazer personagens alucinados, como em Despedida em Las Vegas (que lhe deu seu único Oscar até agora) o ator vai fundo para viver o tira Terence McDonagh que, após um mergulho mal dado para salvar um preso de se afogar numa cela inundada pelas águas após a passagem do furacão Katrina, em Nova Orleans, tem dores na coluna, o que o levam a consumir todo o tipo de droga. ' Todas com receita, exceto a heroína!', ele diz num certo momento da trama. A partir daí, por causa do seu vício, ele não se importa em abusar de seu poder para obter os narcóticos, nem que para isso tenha que se aliar a traficantes que possam estar ligados ao assassinato de toda uma família africana.
Um dos pontos positivos do filme está na maneira que Terence é mostrado. Se, ao mesmo tempo, ele aparece como um policial empenhado em fazer bem seu trabalho e elucidar o crime para o qual foi designado para investigar, assim como é carinhoso com seu pai e a madrasta e a namorada Frankie (Eva Mendes, que mais uma vez interpreta a latina gostosona), ele também é capaz de cometer as maiores atrocidades, como ameaçar de morte duas idosas (numa sequência tragicômica) em busca de informações. O roteiro tomou cuidado para deixar o protagonista mais tridimensional e não somente malvado.
Outra questão interessante é como Herzog mostra Nova Orleans no filme, sempre nublada e cinza, sem nenhum aspecto alegre e colorido, como se a cidade ainda não tivesse se recuperado do furacão que passou. O diretor também inova ao filmar os delírios causados pelas drogas em Terence. Com uma câmera operada por ele mesmo, Herzog mostra que o policial não consegue distinguir realidade da ficção, ao mostrar iguanas que só ele enxerga, deixando aqui o público intrigado com o que está assistindo.
Mas o filme tem algumas falhas que não dá para perdoar. Um exemplo disso é como alguns dos problemas de Terence são resolvidos numa única cena, de maneira bem rápida. Além disso, o personagem de Val Kilmer (que, gordo e com uma cara acabada, nem de longe lembra o ator que fez Top Gun, The Doors e Batman Eternamente) começa participando ativamente da investigação dos assassinatos, desaparece sem mais nem menos, e só volta na parte final da história, causando uma certa confusão.
Por fim, Vício Frenético não é um filme revolucionário (nem pretende ser). Mas tem um saldo mais positivo do que negativo ao acompanhar a jornada de um policial que tenta fazer as coisas direito, mas não consegue se livrar de sua dependência e fará de tudo (mas tudo mesmo) para mantê-la, numa ótima composição de Nicolas Cage. Reparem, por exemplo, como ele passa a andar de maneira torta à medida que o seu vício fica cada vez maior, como se mostrasse o monstro que quer sair de dentro dele e dominá-lo de vez.
P.S.: Não escreverei sobre o Globo de Ouro deste ano porque só assisti a parte da cermônia. Não seria justo.
P.S. 2: Ainda verei Avatar em 3D este mês. Questão de honra.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Lula, galã com cara de Brasil
Pois é, depois de um loooongo tempo hibernando (culpa minha, assumo), decidi cumprir uma das minhas promessas para 2010: reativar o Chubala's Blog. Então, pus a minha preguiça de lado e religuei os meus neurônios. Mas agora, vamos ao que interessa.
Filmes sobre presidentes são uma coisa perigosa no cinema: ou eles colocam a pessoa num pedestal ou criam situações inverossímeis. No primeiro caso, podemos colocar produções como Meu Querido Presidente, com Michael Douglas, ou Força Aérea Um, onde Harrison Ford detona terroristas que ameaçam a democracia e a paz mundial sem perder o estilo Indiana Jones, no segundo. Portanto, o que dizer de um filme que é lançado para mostrar a dura vida do chefe de Estado mais popular dos últimos anos no Brasil em pleno ano de eleições? Uma (in) feliz coincidência?
De qualquer forma, o post aqui não é sobre questões políticas ou posicionamentos partidários. É sobre a mais nova tentativa de se fazer um blockbuster no país. Lula, o Filho do Brasil foi produzido com todo o poder de fogo que poderia ser oferecido pelo casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Tecnincamente, o filme é impecável, com boa trilha sonora (ainda que apelativa) de Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, uma fotografia que alterna cores quentes com um granulado que parece ser de câmera digital e uma ótima recriação da época vivida pelos personagens. Mas no quesitos roteiro, direçao e emoção é que estão os principais problemas.
O filme gosta de enfatizar apenas as boas características de Luiz Inácio Lula da Silva, desde criança até assumir a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Mas omite toda e qualquer questão ideológica dele, como ele diz durante uma conversa com um militar que não é comunista nem nada, tornando uma pessoa apartidária, quando sabemos que é impossível não haver ligação entre grupos políticos quando se entra nessa vida. Talvez seja esse o problema de retratar alguém que ainda está vivo e no poder num filme biográfico. Não dá para mostrar as falhas que realmente aconteceram em sua trajetória.
Além disso, o roteiro não tira a sensação de que não estamos vendo uma história, mas sim episódios isolados da vida de Lula, que se conectam de forma irregular. Numa hora, vemos o protagonista ainda inocente ao entrar para o sindicalismo. Logo em seguida, ele já está como um líder para os seus companheiros, sem muita cerimônia. O mesmo vale para a parte romântica do filme. As personagens de Cleo Pires, que vive a primeira esposa de Lula, e Juliana Baroni, a segunda e atual Primeira-Dama, Marisa, surgem meio que do nada no filme, especialmente a de Cleo. Tudo bem que ela aparece ainda jovem na adolescência de Lula. Mas parece que ela foi jogada de qualquer jeito quando cresce. E quando ele conhece Marisa, ele já vai se declarando para ela sem ter nenhum clima para isso. Os dois, aliás, protagonizam a única cena cômica do filme, quando ele a chama para sair quando já havia outra pessoa esperando por ela.
Mas o principal problema de Lula, o Filho do Brasil está mesmo na direção de Fábio Barreto. Ele tem alguns acertos, como a recriação de um discurso de Lula num estádio lotado para metalúrgicos, quando ele, sem microfone, pede para que as pessoas passem para as outras as frases que ele conta. Aliás, é louvável a interpretação de Rui Ricardo Silva quando fala para o público, com o mesmo jeito que deixou Lula famoso. Mas Fábio Barreto tem um grave problema. Na tentativa de emocionar o público, ele o deixa muitas vezes sem sentir nada, apenas observando o que acontece na tela, sem causar reação.
Para piorar, Barreto termina o filme da mesma maneira que sua produção mais conhecida, O Quatrilho. Quando achamos que o filme vai começar a empolgar de verdade, ele termina, como se tivesse acabado sua verba (o que deve ter sido impossível). Aliás, o que salta aos olhos assim que a produção começa é o imenso número de empresas que a patrocinaram e ajudaram na sua realização.
O elenco, pelo menos, não deixa a peteca cair. Glória Pires, escalada para viver Dona Lindu, mãe de Lula, trabalha com a competência que a consgrou como uma das melhores atrizes da atualidade. Sua filha Cleo não compromete, assim como Juliana Baroni. O pai do protagonista, vivido por Milhem Cortaz, causa revolta e asco graças ao bom trabalho do ator. Por fim, Rui Ricardo Silva, embora seja mais alto e atlético do que Lula, mostra que se dedicou bastante para não fazer feio como seu primeiro protagonista no cinema.
Enfim, Lula, o Filho do Brasil pode até fazer sucesso no cinema (embora acho pouco provável que derrote filmes como Avatar). Mas como filme, é pouco memorável, sendo esquecido rapidamente quando as luzes se acendem.
domingo, 1 de março de 2009
Oscar se rende à terra de Bollywood
Pois é, mais uma vez descumpri as minhas promessas e deixei de publicar meus textos há bastante tempo. É que tive vários contratempos que acabaram me deixando fora do blog. Mas agora chega de desculpas e vamos ao que interessa.
Como foi no ano passado (e como deve ser nos próximos anos), fiquei acordado até tarde para assistir ao Oscar 2009, com o agravante de que a festa foi no domingo de Carnaval. Acredito que cerca de 95% das pessoas que ficaram em casa naquela noite quis mais é assistir às escolas de samba do que saber quem seriam os vencedores da estatueta careca. Ainda mais porque, por causa das coincidências, nenhuma TV aberta quis transmitir a premiação, preferindo cobrir os desfiles no Sambódromo do Rio.
A cerimônia do Oscar 2009 foi apresentada por Hugh Jackman, que entrou no lugar de Jon Stewart. O eterno Wolverine fez de tudo para mostrar que é versátil: cantou (e não é que ele tem uma boa voz?), dançou, sentou no colo de Frank Langella (um dos indicados a Melhor Ator, por Frost/Nixon), fez dueto com Anne Hathaway e fez piada com os filmes concorrentes no número de abertura. Mas depois, só foi ter mais destaque ao fazer um número com Beyoncé Knowles e os jovens atores de High School Musical 3 e Mamma Mia!, dois musicais que foram sucesso de bilhetreria em 2008. Será que sou só eu que gostava do Billy Cristal?
Houve algumas inovações, como ter um mesmo apresentador para várias categorias semelhantes, além da utilização de atores premiados ns anos anteriores para dar o Oscar ao vencedor deste ano. Interessantes, mas vamos ver quanto tempo elas vão durar.
Quanto aos ganhadores, não houve grandes surpresas. Quem Quer Ser Um Milionário? mereceu os Oscars de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e os outros cinco que recebeu, em particular o Trilha Sonora, realmente muito boa. Já o recordista de indicações deste ano, O Curioso Caso de Benjamim Button, teve que se contentar com três prêmios, todos técnicos. A Academia parecia não querer premiar um filme que, para muitos, se parece com Forrest Gump. Milk - A Voz da Igualdade saiu com dois Oscars importantes, o de melhor ator para Sean Penn (que desbancou o favorito Mickey Rourke, por O Lutador) e o de roteiro original. Penn, aliás, fez o melhor discurso de agradecimento da noite, onde enalteceu o presidente Barack Obama e criticou a suspensão do casamento gay na Califórnia, além de elogiar e consolar Rourke pela derrota. Kate Winslet, Melhor Atriz por O Leitor, e Penélope Cruz, Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona, revelaram algo semelhante ao receber seus Oscars: que poderiam desmaiar a qualquer momento. Se isso acontecesse, certamente entraria para a história da cerimônia. Kate ainda brincou com Meryl Streep, que concorria pelo filme Dúvida, dizendo que ela teria que aceitar que aquele Oscar era dela. O momento mais óbvio, e ao mesmo tempo mais emocionante, foi a premiação póstuma para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante, pelo ótimo Coringa que fez para Batman - O Cavaleio das Trevas. A família do astro, morto por causa do mau uso de remédios, subiu ao palco e agradeceu a todos. Muita gente famosa apareceu com lágrimas nos olhos nessa hora.
Assim, mais um Oscar se foi. Fico feliz de que Boyle tenha tido seu reconhecimento no prêmio máximo do cinema mundial pois acompanho sua carreira há bastante tempo e sempre o achei um diretor muito talentoso. Agora, é aguardar a cerimônia de 2010. Jai Ho!
Como foi no ano passado (e como deve ser nos próximos anos), fiquei acordado até tarde para assistir ao Oscar 2009, com o agravante de que a festa foi no domingo de Carnaval. Acredito que cerca de 95% das pessoas que ficaram em casa naquela noite quis mais é assistir às escolas de samba do que saber quem seriam os vencedores da estatueta careca. Ainda mais porque, por causa das coincidências, nenhuma TV aberta quis transmitir a premiação, preferindo cobrir os desfiles no Sambódromo do Rio.
A cerimônia do Oscar 2009 foi apresentada por Hugh Jackman, que entrou no lugar de Jon Stewart. O eterno Wolverine fez de tudo para mostrar que é versátil: cantou (e não é que ele tem uma boa voz?), dançou, sentou no colo de Frank Langella (um dos indicados a Melhor Ator, por Frost/Nixon), fez dueto com Anne Hathaway e fez piada com os filmes concorrentes no número de abertura. Mas depois, só foi ter mais destaque ao fazer um número com Beyoncé Knowles e os jovens atores de High School Musical 3 e Mamma Mia!, dois musicais que foram sucesso de bilhetreria em 2008. Será que sou só eu que gostava do Billy Cristal?
Houve algumas inovações, como ter um mesmo apresentador para várias categorias semelhantes, além da utilização de atores premiados ns anos anteriores para dar o Oscar ao vencedor deste ano. Interessantes, mas vamos ver quanto tempo elas vão durar.
Quanto aos ganhadores, não houve grandes surpresas. Quem Quer Ser Um Milionário? mereceu os Oscars de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e os outros cinco que recebeu, em particular o Trilha Sonora, realmente muito boa. Já o recordista de indicações deste ano, O Curioso Caso de Benjamim Button, teve que se contentar com três prêmios, todos técnicos. A Academia parecia não querer premiar um filme que, para muitos, se parece com Forrest Gump. Milk - A Voz da Igualdade saiu com dois Oscars importantes, o de melhor ator para Sean Penn (que desbancou o favorito Mickey Rourke, por O Lutador) e o de roteiro original. Penn, aliás, fez o melhor discurso de agradecimento da noite, onde enalteceu o presidente Barack Obama e criticou a suspensão do casamento gay na Califórnia, além de elogiar e consolar Rourke pela derrota. Kate Winslet, Melhor Atriz por O Leitor, e Penélope Cruz, Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona, revelaram algo semelhante ao receber seus Oscars: que poderiam desmaiar a qualquer momento. Se isso acontecesse, certamente entraria para a história da cerimônia. Kate ainda brincou com Meryl Streep, que concorria pelo filme Dúvida, dizendo que ela teria que aceitar que aquele Oscar era dela. O momento mais óbvio, e ao mesmo tempo mais emocionante, foi a premiação póstuma para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante, pelo ótimo Coringa que fez para Batman - O Cavaleio das Trevas. A família do astro, morto por causa do mau uso de remédios, subiu ao palco e agradeceu a todos. Muita gente famosa apareceu com lágrimas nos olhos nessa hora.
Assim, mais um Oscar se foi. Fico feliz de que Boyle tenha tido seu reconhecimento no prêmio máximo do cinema mundial pois acompanho sua carreira há bastante tempo e sempre o achei um diretor muito talentoso. Agora, é aguardar a cerimônia de 2010. Jai Ho!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Revelações folhetinescas
Quando A Favorita começou, o grande mistério da trama não era, segundo o autor João Emanoel Carneiro, quem matou, mas sim quem estava mentindo. Só por ter essa concepção, a novela já tinha me conquistado. Mas para a minha surpresa, outros elementos também se mostraram satisfatórios e além da expectativa. Mas convenhamos, fazer pior que Aguinaldo Silva em Duas Caras, só adaptando Os Mutantes da Record para a Globo.
Para mexer um pouco na estrtura dos folhetins (e, provavelmente, aumentar a audiência que ainda não é lá essas coisas), o escritor decidiu mostrar que Flora (Patrícia Pillar) era a verdadeira assassina antes da trama terminar. Para alguns, a escolha foi frustrante porque houve maior simpatia por ela do que por Donatela, até porque Cláudia Raia era mais escaldada em fazer vilãs, embora nunca conseguisse bons resultados como em Torre de Babel e em Sete Pecados. Para outros, antecipar o mistério não faria a trama realmente "andar", algo que discordo totalmente.
Ao assisitir o capítulo onde foi revelada a verdade sobre o assassinato de Marcelo (aliás, não dava para ele ser vivido por um ator melhor, não?), parecia que eu estava assitindo a uma nova versão de Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman. Explico: assim como no filme, onde o protagonista revê seu passado, mas com a mesma aparência dos dias atuais, Flora e Donatela surgem como são atualmente, numa cena que, se não foi perfeita, pelo menos foi bem impactante e as duas atrizes deram conta do recado, especialmente a Patrícia Pillar. E o clima foi mesmo de último capítulo.
Além disso, o recurso de mostrar o criminoso antes do fim não é novo. Alfred Hitchcock utilizou essa possibilidade em Frenezi, filme pouco conhecido que marcou sua volta ao cinema inglês. Nele, é descoberto logo no primeiro terço da trama que o estrangulador de mulheres que age em Londres é um homem elegante, boa pinta e amigo do principal suspeito, que justamente o seu oposto. Feio, mau humorado e impopular, ele na verdade é o mocinho da história e tenta durante todo o filme provar que é inocente. Mas Hitchcock não é mestre por acaso. Ele faz o espectador não se simpatizar com o protagonista logo de início. Só depois que descobrimos quem é o verdadeiro monstro, é que passamos a torcer por ele. Se A Favorita conseguir fazer o mesmo com Donatela, já posso considerar uma das melhores obras feitas para a TV nos últimos anos. Mas isso, só dá para concluir nos próximos capítulos.
Para mexer um pouco na estrtura dos folhetins (e, provavelmente, aumentar a audiência que ainda não é lá essas coisas), o escritor decidiu mostrar que Flora (Patrícia Pillar) era a verdadeira assassina antes da trama terminar. Para alguns, a escolha foi frustrante porque houve maior simpatia por ela do que por Donatela, até porque Cláudia Raia era mais escaldada em fazer vilãs, embora nunca conseguisse bons resultados como em Torre de Babel e em Sete Pecados. Para outros, antecipar o mistério não faria a trama realmente "andar", algo que discordo totalmente.
Ao assisitir o capítulo onde foi revelada a verdade sobre o assassinato de Marcelo (aliás, não dava para ele ser vivido por um ator melhor, não?), parecia que eu estava assitindo a uma nova versão de Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman. Explico: assim como no filme, onde o protagonista revê seu passado, mas com a mesma aparência dos dias atuais, Flora e Donatela surgem como são atualmente, numa cena que, se não foi perfeita, pelo menos foi bem impactante e as duas atrizes deram conta do recado, especialmente a Patrícia Pillar. E o clima foi mesmo de último capítulo.
Além disso, o recurso de mostrar o criminoso antes do fim não é novo. Alfred Hitchcock utilizou essa possibilidade em Frenezi, filme pouco conhecido que marcou sua volta ao cinema inglês. Nele, é descoberto logo no primeiro terço da trama que o estrangulador de mulheres que age em Londres é um homem elegante, boa pinta e amigo do principal suspeito, que justamente o seu oposto. Feio, mau humorado e impopular, ele na verdade é o mocinho da história e tenta durante todo o filme provar que é inocente. Mas Hitchcock não é mestre por acaso. Ele faz o espectador não se simpatizar com o protagonista logo de início. Só depois que descobrimos quem é o verdadeiro monstro, é que passamos a torcer por ele. Se A Favorita conseguir fazer o mesmo com Donatela, já posso considerar uma das melhores obras feitas para a TV nos últimos anos. Mas isso, só dá para concluir nos próximos capítulos.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
O triunfo do Morcego e do Palhaço
Quando vi O Corvo, nos anos 90, tive uma profunda tristeza ao seu término pois havia assistido o melhor filme da carreira de Brandon Lee, filho do lendário Bruce, sabendo que era o seu último: Brandon morreu durante as filmagens quando foi baleado por uma bala de festim mal calibrada. A mesma sensação pude sentir ao assistir a produção mais esperada por mim neste ano: Batman - O Cavaleiro das Trevas, por causa da avassaladora performance de Heath Ledger como o Coringa.
Vai parecer chover no molhado falar que Heath Ledger está ótimo e que fez um Coringa absolutamente fantástico, que conseguiu calar a boca de muita gente (inclusive a minha), que ficou desconfiada na época que foi anunciada sua escalação. Mas é impressionante como ele surpreende a cada cena que surge, imprimindo um humor sarcástico e diabólico, além de fazer algo que nenhum outro intérprete do personagem conseguiu: ele dá muito medo! Ao contrário de Jack Nicholson (ou Cesar Romero), que fazem piadinhas enquanto tentam realizar seus planos pouco ameaçadores, o Coringa de Ledger tem um objetivo muito simples: enlouquecer tudo e a todos ao seu redor. Seus atos são bastante imprevisíveis e isso é um mérito do roteiro escrito pelo diretor Christopher Nolan e seu irmão, Johnathan, além da dedicação demonstrada por Ledger ao papel.
Mas o filme não é só do vilão. Ou melhor, de apenas um vilão. Os irmãos Nolan dedicam boa parte da trama à história de Harvey Dent, o Cavaleiro Branco, o promotor que se mostra incorruptível e tão dedicado à justiça que encanta os moradores de Gotham, em especial Rachel Dawes (vivida pela ótima Maggie Gyllenhaal, que embora não seja tão graciosa quanto Kate Holmes, é melhor atriz) e o próprio Bruce Wayne. Ele chega a pensar em aposentar a capa e viver uma vida normal, quase como o Superman e o Homem-Aranha fizeram nas sequüências de suas aventuras. Mas o Coringa surge com suas ações diabólicas para desestabilizar o correto Dent e se torna um dos principais responsáveis por sua queda e a transformação dele no terrível Duas Caras. O ator Aaron Eckhart, que já tinha mostrado um bom trabalho em Obrigado Por Fumar, revela-se mais um acerto na escalação do elenco. Ele mostra que uma pessoa, quando submetido a uma grande pressão, pode não resistir e acabar indo contra a tudo que acredita, inclusive aqueles que se ama.
O mesmo acontece com o próprio Batman. Em mais uma ótima interpretação, Christian Bale demonstra muito bem que os eventos causados por suas ações e as do Coringa afetam profundamente seu modo de ser. Com o passar da trama, ele é levado a tomar decisões que ele acredita ser as corretas, mesmo que ele acabe sofrendo as consequências, para ajudar as pessoas que precisam ser ajudadas, apesar de ele dizer em um momento de que não é um herói. Só por esse paradoxo, seu Batman é superior a todos que surgiram na tela grande até agora.
Assim, o diretor Christopher Nolan merece os parabéns por criar e conduzir uma trama tão cheia de nuances, onde há mais seriedade do que poderia parecer numa adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema. Nolan consegue ser muito mais fiel à parte psicológica dos personagens do que à estética destes. Um exemplo óbvio é o Coringa, que aparece com maquiagem borrada e um cabelo mal pintado de verde, ao contrário da versão em que aparece com a pele branca por causa de um acidente em um tonel de substâncias químicas, como nas revistas. Mas toda sua anarquia e desejo por destruição física e mental (como mostrado na história mais famosa do Palhaço do Crime A Piada Mortal) estão presentes, tornando-o verdadeiramente fascinante e perturbador.
Além disso, não tem como não se sentir arrastado pelo turbilhão de emoções que Batman - O Cavaleiro das Trevas proporciona aos espectadores. São mais de duas horas e meia de projeção, que nem dá para sentir. Ao fim do filme, a vontade é de ver o próximo capítulo logo em seguida. Pena que, se houver uma terceira parte, não será mais possível ver Heath Ledger incendiando as telas de cinema com sua performance como o Coringa. Mas, se nada mais der errado, teremos Bale mais uma vez em breve mostrando mais vez porque ele é o verdadeiro Cavaleiro das Trevas. Long Live The Bat!
Vai parecer chover no molhado falar que Heath Ledger está ótimo e que fez um Coringa absolutamente fantástico, que conseguiu calar a boca de muita gente (inclusive a minha), que ficou desconfiada na época que foi anunciada sua escalação. Mas é impressionante como ele surpreende a cada cena que surge, imprimindo um humor sarcástico e diabólico, além de fazer algo que nenhum outro intérprete do personagem conseguiu: ele dá muito medo! Ao contrário de Jack Nicholson (ou Cesar Romero), que fazem piadinhas enquanto tentam realizar seus planos pouco ameaçadores, o Coringa de Ledger tem um objetivo muito simples: enlouquecer tudo e a todos ao seu redor. Seus atos são bastante imprevisíveis e isso é um mérito do roteiro escrito pelo diretor Christopher Nolan e seu irmão, Johnathan, além da dedicação demonstrada por Ledger ao papel.
Mas o filme não é só do vilão. Ou melhor, de apenas um vilão. Os irmãos Nolan dedicam boa parte da trama à história de Harvey Dent, o Cavaleiro Branco, o promotor que se mostra incorruptível e tão dedicado à justiça que encanta os moradores de Gotham, em especial Rachel Dawes (vivida pela ótima Maggie Gyllenhaal, que embora não seja tão graciosa quanto Kate Holmes, é melhor atriz) e o próprio Bruce Wayne. Ele chega a pensar em aposentar a capa e viver uma vida normal, quase como o Superman e o Homem-Aranha fizeram nas sequüências de suas aventuras. Mas o Coringa surge com suas ações diabólicas para desestabilizar o correto Dent e se torna um dos principais responsáveis por sua queda e a transformação dele no terrível Duas Caras. O ator Aaron Eckhart, que já tinha mostrado um bom trabalho em Obrigado Por Fumar, revela-se mais um acerto na escalação do elenco. Ele mostra que uma pessoa, quando submetido a uma grande pressão, pode não resistir e acabar indo contra a tudo que acredita, inclusive aqueles que se ama.
O mesmo acontece com o próprio Batman. Em mais uma ótima interpretação, Christian Bale demonstra muito bem que os eventos causados por suas ações e as do Coringa afetam profundamente seu modo de ser. Com o passar da trama, ele é levado a tomar decisões que ele acredita ser as corretas, mesmo que ele acabe sofrendo as consequências, para ajudar as pessoas que precisam ser ajudadas, apesar de ele dizer em um momento de que não é um herói. Só por esse paradoxo, seu Batman é superior a todos que surgiram na tela grande até agora.
Assim, o diretor Christopher Nolan merece os parabéns por criar e conduzir uma trama tão cheia de nuances, onde há mais seriedade do que poderia parecer numa adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema. Nolan consegue ser muito mais fiel à parte psicológica dos personagens do que à estética destes. Um exemplo óbvio é o Coringa, que aparece com maquiagem borrada e um cabelo mal pintado de verde, ao contrário da versão em que aparece com a pele branca por causa de um acidente em um tonel de substâncias químicas, como nas revistas. Mas toda sua anarquia e desejo por destruição física e mental (como mostrado na história mais famosa do Palhaço do Crime A Piada Mortal) estão presentes, tornando-o verdadeiramente fascinante e perturbador.
Além disso, não tem como não se sentir arrastado pelo turbilhão de emoções que Batman - O Cavaleiro das Trevas proporciona aos espectadores. São mais de duas horas e meia de projeção, que nem dá para sentir. Ao fim do filme, a vontade é de ver o próximo capítulo logo em seguida. Pena que, se houver uma terceira parte, não será mais possível ver Heath Ledger incendiando as telas de cinema com sua performance como o Coringa. Mas, se nada mais der errado, teremos Bale mais uma vez em breve mostrando mais vez porque ele é o verdadeiro Cavaleiro das Trevas. Long Live The Bat!
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