segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ele (ainda) é o cara

Pois é, depois de um looooongo tempo sem postar nada, eis que retorno ao meu querido blog! Andei meio preguiçoso em escrever (horrível admitir isso, né?). Mas agora devo voltar ao meu ritmo normal e não deixar passar muito tempo em fazer novos textos por aqui.

Mas chega de lamentações e vamos ao que interessa. Assim como demorei a escrever de novo, demorei a ir ao cinema nos últimos meses. Porém, no último fim de semana, finalmente matei as saudades do telão, que para mim nunca é superado nem por VHS, DVD, internet e o que mais vier por aí. E, assim, como me reencontrei com o cinema, revi um dos meus heróis da adolescência, que estava sumido há quase duas décadas: o dr. Henry Jones Jr., mais conhecido como Indiana Jones!

Quando ouvi falar que o arqueólogo mais famoso do cinema iria voltar, admito que fiquei um pouco temeroso. Afinal, o terceiro filme da série, Indiana Jones e a Última Cruzada, havia mostrado um belo desfecho de suas aventuras, além de ter uma ótima cena final, com Jones, seu pai (numa ótima interpretação de Sean Connery) e seus dois amigos Marcus e Sallah (os excelentes Denhlom Elliot e John Rhys-Davies) cavalgando em direção ao sol. Então, para quê continuar depois disso? Bem, uma boa alternativa foi descoberta: a de que os heróis também envelhecem, assim como nós pobres mortais.

Depois de muitas indas e vindas, o diretor Steven Spielberg e o produtor George Lucas decidiram que Indiana Jones devia avançar em seu tempo (no caso, ter uma nova aventura no fim da década de 50). Logo, o arqueólogo tem que enfrentar não mais os nazistas, mas os russos, e algo mais fatal do que qualquer força oculta: o tempo. Assim, quando Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (título meio de filme da Xuxa, não acham?) começa, Spielberg fez questão de mostrar o herói com as rugas e o cabelo grisalho, que contrastam com a juventude dos soldados russos e de sua líder, Irina Spalko (vivida pela sempre ótima Cate Blanchett). Mas Indy logo vira o jogo ao seu favor e mostra um vigor impressionante para alguém com a sua idade (talvez algum efeito colateral de ter bebido água no Santo Graal?). É claro que Harrison ford, hoje com 66 anos, não faz todas as cenas de ação e é substituído por dublês. Mas quem se importa? A edição do filme é tão bem feita que ninguém nota a diferença e torce para que o personagem se dê bem em todas as confusões em que se mete, desde o começo até o fim do filme.

Outro acerto do filme é trazer de volta a primeira mocinha da série: Karen Allen, assim como Harrison Ford, envelheceu dignamente e, como o próprio herói diz num momento da história, houve outras mulheres, mas nenhuma como Marion Ravenwood. Quando ela sorri ao dizer isso, não tem como não concordar com Indy. Além disso, Spielberg fez uma boa aposta em Shia LaBeouf como Mutt Williams, o jovem rebelde filho de Marion que acaba se tornando o parceiro perfeito do dr. Jones.

Mas o filme não é perfeito, infelizmente. A trama envolvendo a caveira de cristal e seus misteriosos poderes não é muito bem desenvolvida e muitos elementos ficam mal explicados. Um exemplo disso é quando Spalko decide usar a caveira para controlar Indiana Jones, a ação não surte o efeito esperado e não é mais mencionada no desenrolar da trama. Além disso, os enigmas que Indy tem que desvendar são confusos e não são tão envolventes quanto nos filmes anteriores. Outro problema está em dois personagens mal-resolvidos, o parceiro suspeito "Mac" George McHale, vivido pelo "Beowulf" Ray Winstone e o professor Oxley, interpretado por John Hurt e inserido na trama para substituir Sean Connery, que não quis voltar a ser Henry Jones. Enquanto "Mac" não mostra grande função na trama, a não ser na primeira parte do filme, Oxley não acrescenta muita coisa, repetindo frases sem sentido e que não despertam nenhuma curiosidade. Aliás, é curioso notar que, se Indiana Jones inspirou outros filmes de ação, Spielberg se inspirou em uma de suas cópias para fazer uma seqüência: o ataque das formigas assassinas lembra muito a cena dos escaravelhos digitais de "A Múmia", dirigido por Stephen Sommers. Além disso, ficou estranha a relação de Indy com os russos. Em alguns momentos, ele se recusa veementemente a ajudá-los. Mas em outros, ele esclarece algumas das charadas de Oxley a Spalko sem demonstrar nenhuma contrariedade. A seqüência final, aliás, soa meio déja vu pois lembra muito o final de A Última Cruzada.

Mas Spielberg mostra que ainda sabe o que faz. As cenas de perseguição de moto nos EUA e a dos jipes na Amazônia são incríveis, embora nesta última é uma pena Indiana Jones dar espaço demais para o jovem Mutt brigar com os russos e, em especial com Spalko. Aliás, um parêntese. Em Cannes, a atriz Cate Blanchett pediu desculpas ao povo russo por sua interpretação. Não precisava, pois se ela não fez uma grande performance, em nenhum momento ela sujou o seu belo currículo com sua atuação. O problema talvez esteja nos clichês americanos que são criados para personagens estrangeiros. Isso vale também para a questão da pirâmide encontrada no Amazonas, que é mostrada no filme.

Enfim, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal pode não ser o super filme que muitos esperavam, mas está longe de criar grandes decepções nos espectadores. A produção mostra que ainda é possível fazer filmes agradáveis e despretensiosos quando se tem unidos um bom diretor, uma história interessante (que poderia ser melhor nesse caso), seqüências alucinantes e um ótimo protagonista. Aliás, Harrison Ford mostra que o tempo não pára, mas também pode não condenar. E, como fica mostrada na última cena, ele ainda é o cara. Que venham mais aventuras com Indy, então!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Era uma casa muito engraçada...

Curiosa a maneira como terminou a oitava edição do BBB, nesta terça-feira. Primeiro porque, como fizeram questão de alardear, não havia um real favorito para o prêmio de R$ 1 milhão. Não foi como no ano passado, onde o Diego Alemão já tinha ganho a disputa um mês antes do fim do programa. Talvez seja porque nenhum dos participantes de 2008 tenha tido carisma suficiente para conquistar o grande público. A cada semana, os telespectadores mudavam de favorito sem muita cerimônia. Como por exemplo a Thati Bione, que chegou a ser apontada como a vencedora por ter um caráter "verdadeiro", mas acabou irritando a vários membros da casa (e, de quebra, a audiência) com seu excesso de choro e sua mania de cantar e falar de forma chata.

Outro que também se perdeu no meio do caminho foi Marcelo, definitivamente o membro mais polêmico do BBB 8. Mal ele entrou na casa, decidiu fazer uma declaração "bombástica" para todos: de que era gay. Só que muita gente não acreditou na sua "saída do armário" porque desde o início ele arrastou sua asa para cima da Gyselle. Tanto que ele acabou confessando estar interessado nela e que vivia uma "fase heterosexual", seja lá o que seja isso. Marcelo também deixou de ser o favorito por decidir brigar com todos na casa, inclusive com sua favorita. É claro que um dos sucessos do programa são os "barracos", que podem tornar os envolvidos erm queridinhos dos telespectadores. Mas Marcelo foi equivocado em sua estratégia e acabou sendo posto para fora da casa bem antes da final.

Além disso, o BBB 8 mostrou que praticamente nenhum dos participantes prezava por sentimentos de companherismo. O exemplo mais claro disso foi a Gyselle, que desde o início parecia estar alheia a tudo e a todos, a ponto de se excluir e ser excluída pelos outros. Mas, inexplicavelmente, ela acabou vencendo todos os paredões que teve que disputar e só veio a perder mesmo na final. De uma certa maneira, ela acabou sendo uma vencedora porque botou todo mundo para trás e saiu da casa R$ 100 mil mais rica.

Por fim, o prêmio era tão imprevisível este ano que foi parar nas mãos de um rapaz que substituiu outro participante em cima da hora e só chamou a atenção quando as belas moças da casa tentaram fazê-lo cair em tentação e trair a namorada, que estava do lado de fora do BBB 8. Rafinha foi, realmente, o grande sortudo do programa. Além de ter ganho carros, computadores, uma moto e vários outros prêmios em gincananas dos patrocinadores, ele levou o cobiçado R$ 1 milhão. O jovem músico pretende lançar sua banda de rock em grande estilo e sua fama (ainda que momentânea) vai ajudar bastante.

Pois é, mais um BBB acabou e, por mais que digam que o reality show já esteja esgotado, ainda é comentado por todo mundo, como escrevi num post anterior. Agora é aguardar a próxima edição em 2009, já anunciada pelo Pedro Bial.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Eddie Murphy: Entre a cruz e a caldeirinha

Na semana passada, a Globo exibiu na Tela Quente a reprise de Mansão Mal-Assombrada, uma tentativa da Disney de transformar um brinquedo de seu parque em uma franquia de sucesso nos cinemas, assim como foi com Piratas do Caribe. Mas o filme, dirigido por Rob Minkoff (um dos diretores de O Rei Leão), mereceu o fracasso retumbante que foi em todo o mundo por não ter uma boa história, é sem graça e não tinha um personagem carismático como Jack Sparrow de Johnny Depp.

Por que estou escrevendo sobre esse filme? Porque ele é uma espécie de símbolo do que se tornou a carreira de Eddie Murphy nos últimos 15 anos pelo menos. No post que escrevi sobre o Oscar, comentei que o ator não consegue fazer um bom filme em que ele faz apenas um personagem há bastante tempo e algumas pessoas ficaram contrariadas com a minha observação. Chegaram até a citar filmes que gostaram com ele, como Trocando as Bolas e Um Tira da Pesada. O problema é que esses filmes foram realizados na década de 80. Ou seja, há mais de 20 anos que Murphy não faz filmes que sejam marcantes para o grande público. Talvez a nova versão de O Professor Aloprado, clássico de Jerry Lewis, nos anos 90, seja a última produção que é lembrada com carinho pelos espectadores. Mas mesmo esse filme se vale de uma excelente maquiagem (premiada com o Oscar) e da capacidade de Murphy fazer vários personagens numa mesma cena.

Só que tudo que é demais enjoa e Eddie Murphy (que começou a fazer múltiplas performances em Um Príncipe em Nova York, em 1988), quando não faz um filme em que apareça multiplicado graças a efeitos computadorizados, faz produções infantis como Dr Doolittle e A Creche do Papai. Ele até ensaiou uma mudança em sua carreira ao viver um cantor de temperamento difícil em Dreamgirls, há dois anos atrás. Mas ele caiu em tentação e logo depois surgiu como três personagens no horrível Norbit. Há quem diga que foi por causa deste filme que ele perdeu o Oscar de Ator Coadjuvante, que foi para as mãos de Alan Arkin, de Pequena Miss Sunshine. Murphy também foi premiado, mas com a Framboesa de Ouro este ano, conseguindo a proeza de ganhar os prêmios de pior ator, pior ator coadjuvante e (pasmem!!!) pior atriz coadjuvante pelos três papéis que viveu em Norbit.

Enfim, Eddie Murphy parece que está numa encruzilhada. Ele pode continuar a viver personagens engraçadinhos em filmes infantis ou tentar retornar à boa forma do humor que realizava nos anos 80. Mas por favor, sem precisar ressuscitar O Professor Aloprado ou Um Tira da Pesada, tá?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quando MJ era rei

Ontem, ao assistir o Jornal Hoje, fui informado que Michael Jackson pode perder o rancho Neverland, sua famosa propriedade onde ele construiu seu império como Rei do Pop e um grande parque de diversões para crianças que ele, eventualmente, hospedava para passar um tempo com ele. Jackson está endividado e pode não ter o dinheiro no prazo para pagar seus débitos. Mais uma triste notícia para quem teve o mundo da música aos seus pés.

No mesmo dia, alguns minutos depois, o Multishow passou o programa Bastidores, cujo tema era o lançamento da edição especial de 25 anos de Thriller, o álbum que consagrou de vez o talento de Michael Jackson e se tornou o disco mais vendido de todos os tempos. É curiosa a visão que a mídia tem do cantor. De um lado, um respeito e uma admiração grandes e duradouros. Do outro, uma vontade louca de destruir o astro por seus atos excêntricos. Tudo bem, fatos são fatos. Ele realmente tem uma quedinha pela insanidade, ao julgar suas inúmeras operações plásticas (que ele jura que foram só duas) e sua obsessão em se tornar branco. O problema é que Michael, mesmo com tudo que pode fazer, parece sofrer de uma enorme baixa estima.

Mas esse post não é para discutir ou levantar questões psicológicas sobre as maluquices de Michael Jackson. Eu seria leviano. Mas, sim, para analisar algo fantástico em relação à sua mais famosa obra. Lançado em 1982, mas só descoberto pelo grande público um ano depois, Thriller ainda é uma referência para os amantes da música pop americana. Suas músicas, em especial a trinca formada por Billie Jean, Beat it e a faixa-título, são até hoje adoradas mesmo por quem nem sequer tinha nascido na época. Mas também há outras canções, como Wanna Be Startin' Somethin', The Girl is Mine (com o ex-Beatle e ex-amigo Paul McCartney) e Human Nature que merecem destaque. Com Thriller, Michael Jackson se tornou o grande nome da música negra americana e conseguiu grandes feitos. Um deles foi ser o primeiro artista negro a ter um vídeoclip exibido na MTV nos EUA.

Falando em clipes, um capítulo à parte foi a produção e o lançamento do vídeoclip de Thriller. Querendo fazer algo diferente, Michael Jackson chamou o diretor John Landis para dirigi-lo, após assistir ao filme Um Lobisomem Americano em Londres, dirigido por ele. Os dois realizaram uma obra única, tanto pela duração (14 minutos, algo nunca feito até então), quanto pela inovação de unir o cinema ao vídeo musical. O resultado é que muita gente ficou assustada com o prólogo de Thriller (inclusive eu, admito), onde Jackson vira lobisomem e assusta a pobre namorada. Depois as pessoas ficavam aliviadas ao saber que era só um filme que Jackson está assistindo com uma garota (vivida pela sumida Ola Ray) e, após saírem do cinema, os dois são cercados por zumbis. Michael acaba virando um deles e faz uma dança antológica, que fez muita gente imitar a coreografia. Se as pessoas hoje saem por aí copiando a Dança do Créu, imagina nos anos 80.

O lançamento da edição especial de Thriller pode criar uma nova legião de fãs, além de deixar os antigos admiradores muito felizes. Além das faixas originais, há novas versões dos hits que contam com participação de cantores famosos na atualidade (como Akon e Kayne West) e uma canção inédita. Como bônus, também tem um DVD com os clipes das músicas do disco, incluindo o clássico Thriller. Uma bela aquisição para quem quer saber (ou matar as saudades) do tempo em que Michael Jackson era notícia somente pela (ótima) música e pelos seus passos de dança, e não por acusações de crimes sexuais.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Ganham Oscars

É isso aí, mais um Oscar se encerrou. Mais uma vez previsões se concretizaram, algumas surpresas surgiram, alguns musicais se mostraram constrangedores (o que foi aquele coral falsamente com atitude da música de O Som do Coração?). Mas mesmo assim, eu não aprendo. Assisti até o último minuto e até vibrei com a premiação dos Coen, embora isso foi barbada, como antecipei no post anterior.

A cerimônia foi muito bem conduzida pelo Jon Stewart, que fez até algumas boas piadas, como a que o filme Longe Dela é o favorito de Hillary Clinton, já que a protagonista tem Mal de Alzheimmer e vai se esquecendo do marido, como ela gostaria de fazer com o seu, Bill Clinton. Não houve grandes percalços, além de dois escorregões do ator Colin Farrel e da jovem Miley Cyrus (a Hannah Montana) no palco e da gaguejada da bela Katherine Heigl, de Ligeiramente Grávidos, na hora de anunciar um prêmio.

Mas vamos ao que interessa. Como escrevi anteriormente, acertei algumas previsões e errei outras, mas não falhei tanto assim. Apontei que Julie Christie iria ganhar por Melhor Atriz, mas assinalei que Marion Coutillard seria a única com chances de tirar a estatueta de suas mãos. A francesa foi uma das únicas pessoas premiadas que demonstrou surpresa ao ouvir Forrest Whitaker chamar seu nome no Kodak Theater. Assim como Tilda Swinton, que derrotou a favorita Cate Blanchett, ao ganhar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Conduta de Risco. Ao subir ao palco, ela fez o comentário mais engraçado sobre a estatueta ao compará-la a seu agente nos EUA, que tinha a mesma careca e o mesmo bumbum. Tilda, aliás, estava com um penteado e um vestido que, mesmo quem não é ligado em moda (como eu), não pôde deixar de reparar nela pela excentricidade.

Entre os meus acertos, o prêmio de Melhor Roteiro para Juno, da ex-stripper Diablo Cody, era bem óbvio, já que, assim como Pequena Miss Sunshine em 2007, o filme se tornou a grande sensação popular deste ano. Parece que foi uma consolação, já que não tinha chances de vencer nas categorias mais nobres. Javier Barden, como escrevi no post anterior, era a uninimidade da noite e seu Oscar de Ator Coadjuvante era mais do que esperado. Curiosamente, ele estava acompanhado da mãe, a quem agradeceu o prêmio, e parte de seu discurso foi em espanhol. Vamos ver o que o futuro em Hollywood reserva para ele. Daniel Day-Lewis, ao ser anunciado como Melhor Ator, fez questão de cumprimentar George Clooney e fez uma brincadeirinha ao se curvar diante de Helen Mirren, que anunciou o prêmio, por causa de sua atuação em A Rainha. Já os Coen levaram os Oscars de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção e Melhor Filme. Enquanto Joel tentava fazer um discurso mais eloqüente, seu irmão Ethan só conseguia rir e dizer "obrigado", mostrando um estranho contraste de comportamento entre os dois. Mas os dois merecem, não só por Onde os Fracos Não Têm Vez, como também pelo conjunto da obra.

Nas áreas técnicas, achei ótimo (e previsível) a vitória de Ratatouille como melhor animação, embora não tenha visto Persépollis e achei bem bolado Tá Dando Onda. Uma das surpresas da noite foi a derrota de Transformers em Melhores Efeitos Especiais para A Bússola de Ouro, embora não seja totalmente injusto, já que os efeitos são o ponto forte dessa produção que decepcionou muita gente. O Ultimato Bourne é que acabou se dando bem ao vencer três categorias técnicas (Som, Efeitos Sonoros e Montagem) e deixou os robôs-carros de Transformers comendo poeira. Ah, sim, também gostei da derrota das três músicas de Encantada para a mais simples e mais interessante de Once em Melhor Canção Original. Aliás essa tem sido uma tendência da Academia dar o Oscar para canções menos exageradas. Em Melhor Maquiagem, apesar de admirar Rick Baker, foi bom ele não ter ganho pelo horrível Norbit (quando é que Eddie Murphy vai fazer uma boa comédia em que ele apareça fazendo apenas UM personagem?). O trabalho de Piaf - Um Hino ao Amor era realmente superior.

Agora é aguardar o que 2008 trará de bom para o cinema americano e ficar até tarde assistindo ao próximo Oscar em 2009.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Palpites do Oscar

Pois é, o Oscar é amanhã, dia 24, e só agora resolvi escrever sobre ele, que é mesmo o prêmio mais cobiçado, mais desejado do mundo do cinema. Apesar de muita gente desdenhar da cerimônia da premiação, das piadas sem graça na maioria e dos modelitos usados pelas estrelas (o meu favorito é, até hoje, o da Björk de vestido de cisne, em 2001), as pessoas acabam se interessando em saber quem foi o melhor filme, ator ou atriz.

Como faço todo ano, eu acompanho a transmissão do Oscar pela TV (quem sabe um dia não vejo de perto, lá nos EUA?) e chego até a torcer por alguns premiados, mesmo já sabendo que suas chances de ganhar são quase de 100%. Foi o caso do Scorcese, no ano passado, por Os Infiltrados. Como sou muito fã do diretor, achava injusto ele nunca ter ganho o Oscar e ter perdido para gente como Kevin Costner(?!?!) em anos anteriores.

Mas neste ano, há uma sensação de mistério sobre quem a Academia irá entregar a tão sonhada estatueta careca. Apesar da imprensa ter já criado alguns favoritismos, nada está totalmente garantido. Mesmo assim, resolvi escrever sobre os possíveis ganhadores, e arriscar algumas explicações:

Melhor Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez está como quase imbatível nessa categoria. O filme, apesar de não ter ganho o Globo de Ouro, venceu a maioria dos festivais que disputou e coroa a bem-sucedida parceria dos irmãos Joel e Ethan Coen, apesar de alguns pontos baixos, como O Amor Custa Caro e Matadores de Velhinha. Mesmo assim, os dois mais acertaram do que erraram em suas carreiras e, desde Fargo em 1997, nunca tiveram tantas críticas positivas. Os únicos filmes que podem estragar a festa dos Coen são Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, e Desejo e Reparação, de Joe Wright, que ganhou o Globo de Ouro. Mas há uma corrente muito popular por Juno, de Jason Reitman, embora a Academia não premia uma comédia há décadas.

Melhor Diretor: Mais uma vez Joel e Ethan Coen. Há muito tempo que o estilo de direção dos dois irmãos (embora, curiosamente, só Joel é creditado como diretor) é bastante elogiado pelos fãs do cinema. Talvez agora a Academia reconheça o trabalho dos dois e eles saiam com mais um Oscar debaixo de seus braços. Paul Thomas Anderson vem logo na cola deles e também tem chances. Mas pode haver uma zebra e Julian Schnabel, por O Escafandro e a Borboleta, seja o vencedor, já que ganhou o Globo de Ouro este ano.

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis, aparentemente, só não leva o seu segundo Oscar se houver uma catástrofe. A interpretação do barão do petróleo inescrupuloso conquistou praticamente todos os principais prêmios do ano. Até mesmo George Clooney, apontado como possível adversário à altura de Day-Lewis, entregou os pontos. Numa entrevista recente, ele se comparou a Hilary Clinton , que provavelmente vai perder para Barack Obama a corrida para ser o candidato democrata às eleições presidenciais nos EUA. Sorry, Johnny Depp. Ainda não vai ser desta vez.

Melhor Atriz: Julie Christie estava há muito tempo esquecida do grande público e fazia apenas papéis pequenos, como a mãe de Brad Pitt em Tróia. Mas ao viver uma mulher que sofre do Mal de Alzheimer em Longe Dela, dirigido pela ótima atriz Sarah Polley, ela voltou a ser reconhecida e tem grandes chances de ganhar o Oscar. Mas há uma corrente para que a francesa Marion Coutillard, que faz uma performance incrível em Piaf: Um Hino ao Amor, leve a estatueta. Tem também quem acredite que a gracinha Ellen Page, que vive a personagem-título de Juno, seja a vencedora. O jeito é conferir.

Melhor Ator Coadjuvante: Se há alguma unanimidade na edição 2008 do Oscar, ela tem nome e sobrenome: Javier Barden. O espanhol é o franco-favorito para ganhar o Oscar de ator coadjuvante ao interpretar o assassino Anton Chigurh em Onde os Fracos Não Têm Vez. Os outros indicados, como o já premiado Philip Seymour Hoffman e o joven Casey Affleck, têm pouquíssmas chances de atrapalhar a consagração de Barden.

Melhor Atriz Coadjuvante: Cate Blanchett pode levar nessa categoria, o que provavelmente não conseguirá na de Melhor Atriz, onde está também indicada por Elisabeth: A Era de Ouro. A composição que faz de uma das fases do cantor Bob Dylan é impressionante e o grande destaque do filme Não Estou Lá, dirigido por Todd Haynes. Quem pode tirar o Oscar de suas mãos é Tilda Swinton, por Conduta de Risco, Ruby Dee, vencedora do Globo de Ouro por O Gângster (filme injustamente esquecido nas categorias principais), ou mesmo a menina Saoirse Ronan, por Desejo e Reparação.

Bem, poderia escrever sobre outras indicações, mas aí o post ficaria grande demais, não é mesmo? Depois do Oscar escreverei minhas opiniões a respeito da premiação. Até lá.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Ursos e Urubus

Pois é. Mais uma vez dei um bom tempo das postagens. Mas não porque quis. Eu simplesmente tento dar conta de tanta coisa que acabo sem tempo (ou maiores inspirações) para escrever. Só que dessa vez, não tinha desculpa. Ainda mais por causa de duas grandes coisas que aconteceram no final de semana passado.

A primeira delas, foi uma grande (e agradável) surpresa: A premiação de Tropa de Elite como melhor filme no Festival de Berlin. Apesar de ter resistido bravamente, e não ter visto o filme em cópias piratas (algo que praticamente todo mundo que conheço fez), ainda não consegui assisti-lo nos cinemas. Mas como já soube que ele vai voltar ao circuitão por causa do Urso de Ouro, agora finalmente poderei conferir o Capitão Nascimento e seus comandados na telona. De qualquer forma, fico muito feliz de que a produção dirigida por José Padilha tenha sido reconhecida, apesar dos percalços que passou. Por exemplo, a exibição oficial com legendas em alemão e tradução simultânea que (provavelmente) tornou o filme de difícil compreensão para a imprensa internacional, já que muitos jornalistas criticaram duramente Tropa de Elite. Mas não se pode negar que um filme, que se enraizou na sociedade brasielira, fazendo várias expressões usadas pelos personagens cairem no gosto popular, é um grande achado. Como ainda não vi o filme, não posso falar da direção e do tal realismo que muitos ressaltam. Mas com certeza escreverei minha opinião assim que sair do cinema. Enfim, parabéns a Padilha e sua equipe por dar uma alegria ao nosso país e espero que a produção nacional continuem a realizar grandes filmes para o Brasil e para o mundo.

A segunda coisa foi a vitória do meu Mengão sobre o Vasco na semifinal da Taça Guanabara. Muitos desconfiam do time comandado por Joel Santana e já acusaram de falhas de arbitragem no jogo, especialmente no gol de Fábio Luciano, que teria empurrado Vílson para cabeçear livre na pequena área. Mas se o jogador do Vasco não expressou nada no lance, lamento muito. O que pareceu é que ele não sentiu que foi uma infração. Aliás devo dar os parabéns ao Fábio Luciano, que jogou boa parte do jogo com o braço contundido após dividir a bola com Edmundo, mas teve raça e vontade para reagir e iniciar a festa rubro-negra. Só lamento a cabeçada na trave de Souza, que tornaria, com certeza, as coisas mais fáceis.

Para terminar, não posso deixar de agradecer a três pessoas: Ronaldo Angelim, o goleiro Bruno e, especialmente, Edmundo. Se não fosse por sua péssima cobrança de pênalti, quando o jogo estava 1 x 1, Bruno não faria uma ótima defesa, o Flamengo não se imporia na partida e Ronaldo Angelim não teria virado o jogo com seu gol. Depois ele disse que não estava em reais condições de jogar o clássico. Para mim, isso parece, como se dizia antigamente, conversa para boi dormir.