segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A bad trip do tenente mau



Vou confessar duas coisas: ainda não consegui ver Avatar no cinema por questões de agenda e a minha insistência em assisti-lo apenas em 3D, já que a procura por ingressos para esse tipo de sessão está, realmente, complicada. A segunda, é sobre a versão original de Vício Frenético, feita nos anos 80 por Abel Ferrara e protagonizada por Harvey Keitel: também nunca a vi. Portanto, este texto sobre o mais recente filme de Werner Herzog não fará uma comparação entre o primeiro filme e o remake, combinado?

Assisti ao filme como plano B, após mais uma tentativa frustrada de ver o novo arrasa-quarteirão de James Cameron, já que uma parte de mim estava curiosa para ver se Nicolas Cage estava atuando tão bem quanto eu lia em vários sites, blogs e publicações. E realmente ele não decepcionou. Acostumado a fazer personagens alucinados, como em Despedida em Las Vegas (que lhe deu seu único Oscar até agora) o ator vai fundo para viver o tira Terence McDonagh que, após um mergulho mal dado para salvar um preso de se afogar numa cela inundada pelas águas após a passagem do furacão Katrina, em Nova Orleans, tem dores na coluna, o que o levam a consumir todo o tipo de droga. ' Todas com receita, exceto a heroína!', ele diz num certo momento da trama. A partir daí, por causa do seu vício, ele não se importa em abusar de seu poder para obter os narcóticos, nem que para isso tenha que se aliar a traficantes que possam estar ligados ao assassinato de toda uma família africana.

Um dos pontos positivos do filme está na maneira que Terence é mostrado. Se, ao mesmo tempo, ele aparece como um policial empenhado em fazer bem seu trabalho e elucidar o crime para o qual foi designado para investigar, assim como é carinhoso com seu pai e a madrasta e a namorada Frankie (Eva Mendes, que mais uma vez interpreta a latina gostosona), ele também é capaz de cometer as maiores atrocidades, como ameaçar de morte duas idosas (numa sequência tragicômica) em busca de informações. O roteiro tomou cuidado para deixar o protagonista mais tridimensional e não somente malvado.

Outra questão interessante é como Herzog mostra Nova Orleans no filme, sempre nublada e cinza, sem nenhum aspecto alegre e colorido, como se a cidade ainda não tivesse se recuperado do furacão que passou. O diretor também inova ao filmar os delírios causados pelas drogas em Terence. Com uma câmera operada por ele mesmo, Herzog mostra que o policial não consegue distinguir realidade da ficção, ao mostrar iguanas que só ele enxerga, deixando aqui o público intrigado com o que está assistindo.

Mas o filme tem algumas falhas que não dá para perdoar. Um exemplo disso é como alguns dos problemas de Terence são resolvidos numa única cena, de maneira bem rápida. Além disso, o personagem de Val Kilmer (que, gordo e com uma cara acabada, nem de longe lembra o ator que fez Top Gun, The Doors e Batman Eternamente) começa participando ativamente da investigação dos assassinatos, desaparece sem mais nem menos, e só volta na parte final da história, causando uma certa confusão.

Por fim, Vício Frenético não é um filme revolucionário (nem pretende ser). Mas tem um saldo mais positivo do que negativo ao acompanhar a jornada de um policial que tenta fazer as coisas direito, mas não consegue se livrar de sua dependência e fará de tudo (mas tudo mesmo) para mantê-la, numa ótima composição de Nicolas Cage. Reparem, por exemplo, como ele passa a andar de maneira torta à medida que o seu vício fica cada vez maior, como se mostrasse o monstro que quer sair de dentro dele e dominá-lo de vez.

P.S.: Não escreverei sobre o Globo de Ouro deste ano porque só assisti a parte da cermônia. Não seria justo.

P.S. 2: Ainda verei Avatar em 3D este mês. Questão de honra.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lula, galã com cara de Brasil



Pois é, depois de um loooongo tempo hibernando (culpa minha, assumo), decidi cumprir uma das minhas promessas para 2010: reativar o Chubala's Blog. Então, pus a minha preguiça de lado e religuei os meus neurônios. Mas agora, vamos ao que interessa.

Filmes sobre presidentes são uma coisa perigosa no cinema: ou eles colocam a pessoa num pedestal ou criam situações inverossímeis. No primeiro caso, podemos colocar produções como Meu Querido Presidente, com Michael Douglas, ou Força Aérea Um, onde Harrison Ford detona terroristas que ameaçam a democracia e a paz mundial sem perder o estilo Indiana Jones, no segundo. Portanto, o que dizer de um filme que é lançado para mostrar a dura vida do chefe de Estado mais popular dos últimos anos no Brasil em pleno ano de eleições? Uma (in) feliz coincidência?

De qualquer forma, o post aqui não é sobre questões políticas ou posicionamentos partidários. É sobre a mais nova tentativa de se fazer um blockbuster no país. Lula, o Filho do Brasil foi produzido com todo o poder de fogo que poderia ser oferecido pelo casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Tecnincamente, o filme é impecável, com boa trilha sonora (ainda que apelativa) de Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, uma fotografia que alterna cores quentes com um granulado que parece ser de câmera digital e uma ótima recriação da época vivida pelos personagens. Mas no quesitos roteiro, direçao e emoção é que estão os principais problemas.

O filme gosta de enfatizar apenas as boas características de Luiz Inácio Lula da Silva, desde criança até assumir a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Mas omite toda e qualquer questão ideológica dele, como ele diz durante uma conversa com um militar que não é comunista nem nada, tornando uma pessoa apartidária, quando sabemos que é impossível não haver ligação entre grupos políticos quando se entra nessa vida. Talvez seja esse o problema de retratar alguém que ainda está vivo e no poder num filme biográfico. Não dá para mostrar as falhas que realmente aconteceram em sua trajetória.

Além disso, o roteiro não tira a sensação de que não estamos vendo uma história, mas sim episódios isolados da vida de Lula, que se conectam de forma irregular. Numa hora, vemos o protagonista ainda inocente ao entrar para o sindicalismo. Logo em seguida, ele já está como um líder para os seus companheiros, sem muita cerimônia. O mesmo vale para a parte romântica do filme. As personagens de Cleo Pires, que vive a primeira esposa de Lula, e Juliana Baroni, a segunda e atual Primeira-Dama, Marisa, surgem meio que do nada no filme, especialmente a de Cleo. Tudo bem que ela aparece ainda jovem na adolescência de Lula. Mas parece que ela foi jogada de qualquer jeito quando cresce. E quando ele conhece Marisa, ele já vai se declarando para ela sem ter nenhum clima para isso. Os dois, aliás, protagonizam a única cena cômica do filme, quando ele a chama para sair quando já havia outra pessoa esperando por ela.

Mas o principal problema de Lula, o Filho do Brasil está mesmo na direção de Fábio Barreto. Ele tem alguns acertos, como a recriação de um discurso de Lula num estádio lotado para metalúrgicos, quando ele, sem microfone, pede para que as pessoas passem para as outras as frases que ele conta. Aliás, é louvável a interpretação de Rui Ricardo Silva quando fala para o público, com o mesmo jeito que deixou Lula famoso. Mas Fábio Barreto tem um grave problema. Na tentativa de emocionar o público, ele o deixa muitas vezes sem sentir nada, apenas observando o que acontece na tela, sem causar reação.

Para piorar, Barreto termina o filme da mesma maneira que sua produção mais conhecida, O Quatrilho. Quando achamos que o filme vai começar a empolgar de verdade, ele termina, como se tivesse acabado sua verba (o que deve ter sido impossível). Aliás, o que salta aos olhos assim que a produção começa é o imenso número de empresas que a patrocinaram e ajudaram na sua realização.

O elenco, pelo menos, não deixa a peteca cair. Glória Pires, escalada para viver Dona Lindu, mãe de Lula, trabalha com a competência que a consgrou como uma das melhores atrizes da atualidade. Sua filha Cleo não compromete, assim como Juliana Baroni. O pai do protagonista, vivido por Milhem Cortaz, causa revolta e asco graças ao bom trabalho do ator. Por fim, Rui Ricardo Silva, embora seja mais alto e atlético do que Lula, mostra que se dedicou bastante para não fazer feio como seu primeiro protagonista no cinema.

Enfim, Lula, o Filho do Brasil pode até fazer sucesso no cinema (embora acho pouco provável que derrote filmes como Avatar). Mas como filme, é pouco memorável, sendo esquecido rapidamente quando as luzes se acendem.

domingo, 1 de março de 2009

Oscar se rende à terra de Bollywood

Pois é, mais uma vez descumpri as minhas promessas e deixei de publicar meus textos há bastante tempo. É que tive vários contratempos que acabaram me deixando fora do blog. Mas agora chega de desculpas e vamos ao que interessa.

Como foi no ano passado (e como deve ser nos próximos anos), fiquei acordado até tarde para assistir ao Oscar 2009, com o agravante de que a festa foi no domingo de Carnaval. Acredito que cerca de 95% das pessoas que ficaram em casa naquela noite quis mais é assistir às escolas de samba do que saber quem seriam os vencedores da estatueta careca. Ainda mais porque, por causa das coincidências, nenhuma TV aberta quis transmitir a premiação, preferindo cobrir os desfiles no Sambódromo do Rio.

A cerimônia do Oscar 2009 foi apresentada por Hugh Jackman, que entrou no lugar de Jon Stewart. O eterno Wolverine fez de tudo para mostrar que é versátil: cantou (e não é que ele tem uma boa voz?), dançou, sentou no colo de Frank Langella (um dos indicados a Melhor Ator, por Frost/Nixon), fez dueto com Anne Hathaway e fez piada com os filmes concorrentes no número de abertura. Mas depois, só foi ter mais destaque ao fazer um número com Beyoncé Knowles e os jovens atores de High School Musical 3 e Mamma Mia!, dois musicais que foram sucesso de bilhetreria em 2008. Será que sou só eu que gostava do Billy Cristal?

Houve algumas inovações, como ter um mesmo apresentador para várias categorias semelhantes, além da utilização de atores premiados ns anos anteriores para dar o Oscar ao vencedor deste ano. Interessantes, mas vamos ver quanto tempo elas vão durar.

Quanto aos ganhadores, não houve grandes surpresas. Quem Quer Ser Um Milionário? mereceu os Oscars de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e os outros cinco que recebeu, em particular o Trilha Sonora, realmente muito boa. Já o recordista de indicações deste ano, O Curioso Caso de Benjamim Button, teve que se contentar com três prêmios, todos técnicos. A Academia parecia não querer premiar um filme que, para muitos, se parece com Forrest Gump. Milk - A Voz da Igualdade saiu com dois Oscars importantes, o de melhor ator para Sean Penn (que desbancou o favorito Mickey Rourke, por O Lutador) e o de roteiro original. Penn, aliás, fez o melhor discurso de agradecimento da noite, onde enalteceu o presidente Barack Obama e criticou a suspensão do casamento gay na Califórnia, além de elogiar e consolar Rourke pela derrota. Kate Winslet, Melhor Atriz por O Leitor, e Penélope Cruz, Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona, revelaram algo semelhante ao receber seus Oscars: que poderiam desmaiar a qualquer momento. Se isso acontecesse, certamente entraria para a história da cerimônia. Kate ainda brincou com Meryl Streep, que concorria pelo filme Dúvida, dizendo que ela teria que aceitar que aquele Oscar era dela. O momento mais óbvio, e ao mesmo tempo mais emocionante, foi a premiação póstuma para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante, pelo ótimo Coringa que fez para Batman - O Cavaleio das Trevas. A família do astro, morto por causa do mau uso de remédios, subiu ao palco e agradeceu a todos. Muita gente famosa apareceu com lágrimas nos olhos nessa hora.

Assim, mais um Oscar se foi. Fico feliz de que Boyle tenha tido seu reconhecimento no prêmio máximo do cinema mundial pois acompanho sua carreira há bastante tempo e sempre o achei um diretor muito talentoso. Agora, é aguardar a cerimônia de 2010. Jai Ho!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Revelações folhetinescas

Quando A Favorita começou, o grande mistério da trama não era, segundo o autor João Emanoel Carneiro, quem matou, mas sim quem estava mentindo. Só por ter essa concepção, a novela já tinha me conquistado. Mas para a minha surpresa, outros elementos também se mostraram satisfatórios e além da expectativa. Mas convenhamos, fazer pior que Aguinaldo Silva em Duas Caras, só adaptando Os Mutantes da Record para a Globo.

Para mexer um pouco na estrtura dos folhetins (e, provavelmente, aumentar a audiência que ainda não é lá essas coisas), o escritor decidiu mostrar que Flora (Patrícia Pillar) era a verdadeira assassina antes da trama terminar. Para alguns, a escolha foi frustrante porque houve maior simpatia por ela do que por Donatela, até porque Cláudia Raia era mais escaldada em fazer vilãs, embora nunca conseguisse bons resultados como em Torre de Babel e em Sete Pecados. Para outros, antecipar o mistério não faria a trama realmente "andar", algo que discordo totalmente.

Ao assisitir o capítulo onde foi revelada a verdade sobre o assassinato de Marcelo (aliás, não dava para ele ser vivido por um ator melhor, não?), parecia que eu estava assitindo a uma nova versão de Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman. Explico: assim como no filme, onde o protagonista revê seu passado, mas com a mesma aparência dos dias atuais, Flora e Donatela surgem como são atualmente, numa cena que, se não foi perfeita, pelo menos foi bem impactante e as duas atrizes deram conta do recado, especialmente a Patrícia Pillar. E o clima foi mesmo de último capítulo.

Além disso, o recurso de mostrar o criminoso antes do fim não é novo. Alfred Hitchcock utilizou essa possibilidade em Frenezi, filme pouco conhecido que marcou sua volta ao cinema inglês. Nele, é descoberto logo no primeiro terço da trama que o estrangulador de mulheres que age em Londres é um homem elegante, boa pinta e amigo do principal suspeito, que justamente o seu oposto. Feio, mau humorado e impopular, ele na verdade é o mocinho da história e tenta durante todo o filme provar que é inocente. Mas Hitchcock não é mestre por acaso. Ele faz o espectador não se simpatizar com o protagonista logo de início. Só depois que descobrimos quem é o verdadeiro monstro, é que passamos a torcer por ele. Se A Favorita conseguir fazer o mesmo com Donatela, já posso considerar uma das melhores obras feitas para a TV nos últimos anos. Mas isso, só dá para concluir nos próximos capítulos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O triunfo do Morcego e do Palhaço

Quando vi O Corvo, nos anos 90, tive uma profunda tristeza ao seu término pois havia assistido o melhor filme da carreira de Brandon Lee, filho do lendário Bruce, sabendo que era o seu último: Brandon morreu durante as filmagens quando foi baleado por uma bala de festim mal calibrada. A mesma sensação pude sentir ao assistir a produção mais esperada por mim neste ano: Batman - O Cavaleiro das Trevas, por causa da avassaladora performance de Heath Ledger como o Coringa.

Vai parecer chover no molhado falar que Heath Ledger está ótimo e que fez um Coringa absolutamente fantástico, que conseguiu calar a boca de muita gente (inclusive a minha), que ficou desconfiada na época que foi anunciada sua escalação. Mas é impressionante como ele surpreende a cada cena que surge, imprimindo um humor sarcástico e diabólico, além de fazer algo que nenhum outro intérprete do personagem conseguiu: ele dá muito medo! Ao contrário de Jack Nicholson (ou Cesar Romero), que fazem piadinhas enquanto tentam realizar seus planos pouco ameaçadores, o Coringa de Ledger tem um objetivo muito simples: enlouquecer tudo e a todos ao seu redor. Seus atos são bastante imprevisíveis e isso é um mérito do roteiro escrito pelo diretor Christopher Nolan e seu irmão, Johnathan, além da dedicação demonstrada por Ledger ao papel.

Mas o filme não é só do vilão. Ou melhor, de apenas um vilão. Os irmãos Nolan dedicam boa parte da trama à história de Harvey Dent, o Cavaleiro Branco, o promotor que se mostra incorruptível e tão dedicado à justiça que encanta os moradores de Gotham, em especial Rachel Dawes (vivida pela ótima Maggie Gyllenhaal, que embora não seja tão graciosa quanto Kate Holmes, é melhor atriz) e o próprio Bruce Wayne. Ele chega a pensar em aposentar a capa e viver uma vida normal, quase como o Superman e o Homem-Aranha fizeram nas sequüências de suas aventuras. Mas o Coringa surge com suas ações diabólicas para desestabilizar o correto Dent e se torna um dos principais responsáveis por sua queda e a transformação dele no terrível Duas Caras. O ator Aaron Eckhart, que já tinha mostrado um bom trabalho em Obrigado Por Fumar, revela-se mais um acerto na escalação do elenco. Ele mostra que uma pessoa, quando submetido a uma grande pressão, pode não resistir e acabar indo contra a tudo que acredita, inclusive aqueles que se ama.

O mesmo acontece com o próprio Batman. Em mais uma ótima interpretação, Christian Bale demonstra muito bem que os eventos causados por suas ações e as do Coringa afetam profundamente seu modo de ser. Com o passar da trama, ele é levado a tomar decisões que ele acredita ser as corretas, mesmo que ele acabe sofrendo as consequências, para ajudar as pessoas que precisam ser ajudadas, apesar de ele dizer em um momento de que não é um herói. Só por esse paradoxo, seu Batman é superior a todos que surgiram na tela grande até agora.

Assim, o diretor Christopher Nolan merece os parabéns por criar e conduzir uma trama tão cheia de nuances, onde há mais seriedade do que poderia parecer numa adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema. Nolan consegue ser muito mais fiel à parte psicológica dos personagens do que à estética destes. Um exemplo óbvio é o Coringa, que aparece com maquiagem borrada e um cabelo mal pintado de verde, ao contrário da versão em que aparece com a pele branca por causa de um acidente em um tonel de substâncias químicas, como nas revistas. Mas toda sua anarquia e desejo por destruição física e mental (como mostrado na história mais famosa do Palhaço do Crime A Piada Mortal) estão presentes, tornando-o verdadeiramente fascinante e perturbador.

Além disso, não tem como não se sentir arrastado pelo turbilhão de emoções que Batman - O Cavaleiro das Trevas proporciona aos espectadores. São mais de duas horas e meia de projeção, que nem dá para sentir. Ao fim do filme, a vontade é de ver o próximo capítulo logo em seguida. Pena que, se houver uma terceira parte, não será mais possível ver Heath Ledger incendiando as telas de cinema com sua performance como o Coringa. Mas, se nada mais der errado, teremos Bale mais uma vez em breve mostrando mais vez porque ele é o verdadeiro Cavaleiro das Trevas. Long Live The Bat!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Nem barro nem tijolo

O futebol é mesmo uma grande paixão para os brasileiros. Sei que essa frase pode parecer clichê, mas é fato de que a grande maioria dos brazucas se emociona, vibra, chora, xinga, reclama e gosta de ver esse esporte bretão todas as vezes que puder. Por isso, é óbvio que, quando ocorre uma partida em que houve uma grande expectativa e ela é frustrada, a torcida em massa fica indignada. E isso se torna ainda pior quando a seleção brasileira joga mal durante as eliminatórias da Copa, como foi no jogo de ontem, contra a Argentina no Mineirão.

O time comandado por Dunga vem de péssimos resultados, seja na competição ou em amistosos. O pior deles foi, com certeza, a primeira derrota sofrida pela Venezuela na história em jogo nos EUA. Acredito que a coisa mais incômoda nesta seleção é de que o futebol apresentado por ela é burocrático demais, com excesso de toques para o lado, sem nenhuma objetividade. E isso não é de hoje, apenas ficou mais evidenciado nas últimas partidas. O Brasil se acostumou com um futebol ofensivo, combativo, com raça. Mas não é isso que tem surgido nos jogos mais recentes. E, com certeza, não foi isso que foi visto no empate sem gols e sem graça com a Argentina.

O pré-jogo, aliás, merece algumas observações. Ao começar a transmissão da partida pela TV, vimos imagens de uma verdadeira festa no gramado, com homenagens ao Pelé (não que ele não mereça), show do Jota Quest (e mais tarde do Skank, que disseram que agitou mais a galera do que os jogadores), acenos do governador Aécio Neves para os torcedores, entre outras coisas que mais parecia a final do Superbowl nos EUA . Ao ver aquilo, logo veio a minha mente a comemoração antecipada do Flamengo antes do jogo contra o América-Mex pela Libertadores 2008. Bandinha tocando, faixas comemorativas, homenagens ao técnico Joel Santana (que iria deixar o clube para comandar a África do Sul), mas na hora de jogar, o rubro-negro decepcionou e foi eliminado de forma vergonhosa da competição. Ou seja, da próxima vez que vir muitas luzes e festas antes do jogo, vou desconfiar seriamente do futebol que será apresentado.

Assim como na derrota do Flamengo, a seleção brasileira não mostrou nenhum brilho durante toda a partida. Alguns disseram que o Brasil estava atuando mais como time grande, ao contrário da derrota para o Paraguia no último domingo. Mas a verdade é que a atual seleção brasileira não é um time de verdade, apenas um bando de jogadores que se reunem de vez em quando para ver no que vai dar na hora. Não há uma jogada ensaiada, não há qualidade nos passes e mesmo os talentos individuais não resolveram nada, como Romário ou mesmo Ronaldo nos bons tempos. O que dizer do lance em que Robinho, ao invés de tentar passar para outros jogadores ao avançar pela pequena área, resolveu driblar todo mundo até se ver cercado por um monte de argentinos?

Enfim, a seleção brasileira continua devendo nas eliminatórias da Copa, está num incômodo quarto lugar (que pode perder, dependendo de futuros resultados) e não mostra reais sinais de recuperação. O técnico Dunga teve sua cabeça pedida por torcedores no Mineirão e, provavelmente, por muitos telespectadores. Mas será que mudando o treinador, o time entra nos eixos? Difícil prever isso. Mas acho que a atitude que tanto os jogadores diseeram ter tido ontem ainda não apareceu e não se converteu em gols. A situação é (de forma politicamente correta) preta e não verde-amarela.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ele (ainda) é o cara

Pois é, depois de um looooongo tempo sem postar nada, eis que retorno ao meu querido blog! Andei meio preguiçoso em escrever (horrível admitir isso, né?). Mas agora devo voltar ao meu ritmo normal e não deixar passar muito tempo em fazer novos textos por aqui.

Mas chega de lamentações e vamos ao que interessa. Assim como demorei a escrever de novo, demorei a ir ao cinema nos últimos meses. Porém, no último fim de semana, finalmente matei as saudades do telão, que para mim nunca é superado nem por VHS, DVD, internet e o que mais vier por aí. E, assim, como me reencontrei com o cinema, revi um dos meus heróis da adolescência, que estava sumido há quase duas décadas: o dr. Henry Jones Jr., mais conhecido como Indiana Jones!

Quando ouvi falar que o arqueólogo mais famoso do cinema iria voltar, admito que fiquei um pouco temeroso. Afinal, o terceiro filme da série, Indiana Jones e a Última Cruzada, havia mostrado um belo desfecho de suas aventuras, além de ter uma ótima cena final, com Jones, seu pai (numa ótima interpretação de Sean Connery) e seus dois amigos Marcus e Sallah (os excelentes Denhlom Elliot e John Rhys-Davies) cavalgando em direção ao sol. Então, para quê continuar depois disso? Bem, uma boa alternativa foi descoberta: a de que os heróis também envelhecem, assim como nós pobres mortais.

Depois de muitas indas e vindas, o diretor Steven Spielberg e o produtor George Lucas decidiram que Indiana Jones devia avançar em seu tempo (no caso, ter uma nova aventura no fim da década de 50). Logo, o arqueólogo tem que enfrentar não mais os nazistas, mas os russos, e algo mais fatal do que qualquer força oculta: o tempo. Assim, quando Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (título meio de filme da Xuxa, não acham?) começa, Spielberg fez questão de mostrar o herói com as rugas e o cabelo grisalho, que contrastam com a juventude dos soldados russos e de sua líder, Irina Spalko (vivida pela sempre ótima Cate Blanchett). Mas Indy logo vira o jogo ao seu favor e mostra um vigor impressionante para alguém com a sua idade (talvez algum efeito colateral de ter bebido água no Santo Graal?). É claro que Harrison ford, hoje com 66 anos, não faz todas as cenas de ação e é substituído por dublês. Mas quem se importa? A edição do filme é tão bem feita que ninguém nota a diferença e torce para que o personagem se dê bem em todas as confusões em que se mete, desde o começo até o fim do filme.

Outro acerto do filme é trazer de volta a primeira mocinha da série: Karen Allen, assim como Harrison Ford, envelheceu dignamente e, como o próprio herói diz num momento da história, houve outras mulheres, mas nenhuma como Marion Ravenwood. Quando ela sorri ao dizer isso, não tem como não concordar com Indy. Além disso, Spielberg fez uma boa aposta em Shia LaBeouf como Mutt Williams, o jovem rebelde filho de Marion que acaba se tornando o parceiro perfeito do dr. Jones.

Mas o filme não é perfeito, infelizmente. A trama envolvendo a caveira de cristal e seus misteriosos poderes não é muito bem desenvolvida e muitos elementos ficam mal explicados. Um exemplo disso é quando Spalko decide usar a caveira para controlar Indiana Jones, a ação não surte o efeito esperado e não é mais mencionada no desenrolar da trama. Além disso, os enigmas que Indy tem que desvendar são confusos e não são tão envolventes quanto nos filmes anteriores. Outro problema está em dois personagens mal-resolvidos, o parceiro suspeito "Mac" George McHale, vivido pelo "Beowulf" Ray Winstone e o professor Oxley, interpretado por John Hurt e inserido na trama para substituir Sean Connery, que não quis voltar a ser Henry Jones. Enquanto "Mac" não mostra grande função na trama, a não ser na primeira parte do filme, Oxley não acrescenta muita coisa, repetindo frases sem sentido e que não despertam nenhuma curiosidade. Aliás, é curioso notar que, se Indiana Jones inspirou outros filmes de ação, Spielberg se inspirou em uma de suas cópias para fazer uma seqüência: o ataque das formigas assassinas lembra muito a cena dos escaravelhos digitais de "A Múmia", dirigido por Stephen Sommers. Além disso, ficou estranha a relação de Indy com os russos. Em alguns momentos, ele se recusa veementemente a ajudá-los. Mas em outros, ele esclarece algumas das charadas de Oxley a Spalko sem demonstrar nenhuma contrariedade. A seqüência final, aliás, soa meio déja vu pois lembra muito o final de A Última Cruzada.

Mas Spielberg mostra que ainda sabe o que faz. As cenas de perseguição de moto nos EUA e a dos jipes na Amazônia são incríveis, embora nesta última é uma pena Indiana Jones dar espaço demais para o jovem Mutt brigar com os russos e, em especial com Spalko. Aliás, um parêntese. Em Cannes, a atriz Cate Blanchett pediu desculpas ao povo russo por sua interpretação. Não precisava, pois se ela não fez uma grande performance, em nenhum momento ela sujou o seu belo currículo com sua atuação. O problema talvez esteja nos clichês americanos que são criados para personagens estrangeiros. Isso vale também para a questão da pirâmide encontrada no Amazonas, que é mostrada no filme.

Enfim, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal pode não ser o super filme que muitos esperavam, mas está longe de criar grandes decepções nos espectadores. A produção mostra que ainda é possível fazer filmes agradáveis e despretensiosos quando se tem unidos um bom diretor, uma história interessante (que poderia ser melhor nesse caso), seqüências alucinantes e um ótimo protagonista. Aliás, Harrison Ford mostra que o tempo não pára, mas também pode não condenar. E, como fica mostrada na última cena, ele ainda é o cara. Que venham mais aventuras com Indy, então!