quarta-feira, 21 de julho de 2010

Um herói sem poderes e (quase) nenhuma responsabilidade



As adaptações de histórias em quadrinhos para o cinema continuam a fazer sucesso mundo afora. Mesmo quando elas não saem do jeito que muitos fãs esperam, essas produções arrastam muita gente para as salas de projeção e arrecadam muito dinheiro. Mas de vez em quando, algumas conseguem o inusitado, que é dobrar a crítica especializada para este tipo de filme, como Sin City - A Cidade do Pecado, Batman - O Cavaleiro das Trevas e, mais recentemente, Kick-Ass - Quebrando Tudo.

O filme, que foi feito de forma meio independente, e se baseou na história criada por Mark Millar (que não havia acabado de escrevê-la quando a produção começou) mostra Dave (o bom Aaron Johnson), um adolescente normal que compra uma roupa de mergulho pela internet e, com dois bastões e nenhum treinamento especial, decide combater o crime como o super-herói Kick-Ass. Na sua primeira tentativa, ele apanha à beça e acaba atropelado. No hospital, ganha várias placas metálicas e se sente imune à dor, o que o faz voltar às ruas. Ele se mete numa briga com três caras, para salvar uma pessoa, e se torna popular graças a vídeos na internet. Mas enquanto curte o sucesso inesperado, ele chama a atenção do principal chefão do crime (Mark Strong, que está como o vilão de vários outros filmes, como Robin Hood e outra adaptação de quadrinhos, Lanterna Verde) e de um dos seus desafetos, o justiceiro Big Daddy (Nicolas Cage, tão bom quanto em Vício Frenético).

O adolescente acaba cruzando com Big Daddy e sua arma mais mortífera, sua filha Hit Girl (Chloë Moretz). Aliás, ela é a responsável pelas cenas mais politicamente incorretas envolvendo crianças nos últimos anos. A menina (que não tinha mais de dez anos quando fez o filme) mata com requintes de crueldade, apanha que nem gente grande e fala um monte de palavrões sem medo ser feliz. Só ela já vale o filme inteiro e não deixa, literalmente, pedra sobre pedra. Mas Kick-Ass também conhece outro herói, o Red Mist (Christopher Mintz-Plasse, de Superbad), que no final tem um desagradável segredo.

O curioso em Kick-Ass é que, mesmo com a sua visão irônica e bastante violenta do mundo dos super-heróis, Millar e o diretor Matthew Vaughn (que vai dirigir X-Men - First Class) mostram uma história clássica, onde o herói passa por uma jornada e tem seus valores e sua visão ingênua modificada no final. Isso sem falar na relação entre Big Daddy e Hit Girl, que, mesmo com o inusitado das situações que os dois vivem, mostra um grande afeto entre pai e filha. Enfim, o filme diverte e prende o expectador na cadeira. Mesmo que ele nunca tenha lido uma história em quadrinhos na vida.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Batalha dos anos 80 volta e ainda diverte



Pois é, não resisti e volto a escrever sobre novelas, algo que não colocava aqui no blog há muito tempo. O motivo é a minha memória afetiva a uma trama que gostei muito quando era criança e agora voltou com uma nova roupagem: Ti-Ti-Ti, escrita originalmente por Cassiano Gabus Mendes nos anos 80 e adaptada por Maria Adelaide Amaral, que é mais conhecida pelas minisséries, como A Muralha, Um Só Coração e Os Maias.

Admito que, quando ouvi falar que a eterna briga entre Jacques LeClair / André Spina e Victor Valentin / Ariclenes Martins voltaria à televisão, não fui muito fã da ideia. Afinal, a novela foi muito marcante e quem a assistiu, há muitos anos atrás, ainda a tem na memória. Então, para que fazer tudo de novo? Mas a autora da nova versão decidiu fazer algumas mudanças nos personagens e juntou uma trama em outra, no caso, Plumas e Paetês, também de Cassiano Gabus Mendes. No primeiro capítulo, que foi exibido com apenas um intervalo comercial, deu para ver que a iniciativa pode "dar liga".

De uma maneira pouco vista em estreias de novelas, Ti-Ti-Ti não se preocupou em mostrar seus protagonistas logo nas primeiras cena. Os telespectadores foram apresentados, inicialmente, aos personagens que vão cercar Jacques (que nesta atualização, é bem mais brega, a começar pelo laço no pescoço e a forma afetada como fala, numa composição divertida de Alexandre Borges) e Victor (um Murilo Benício um pouco mais atrapalhado e casca grossa do que Luiz Gustavo, mas também engraçado). As tramas desses coadjuvantes também podem render bastante, como o caso do jovem Osmar (o galãzinho Gustavo Leão, num papel ousado para sua carreira que ainda está no início), que se afastou da família para se assumir gay e feliz ao lado de Julio (André Arteche), Mas ele sofrerá um grave acidente e morrerá, envolvendo a amiga Marcela (Isis Valverde, que continua atuando da mesma forma que em novelas anteriores) numa confusão por causa de sua gravidez.

Além disso, a novela também fez, em seu primeiro capítulo, uma irônica crítica ao culto à magreza no mundo da moda. Ao saber que teria que levar um grupo de modelos a um desfile de Jacques Leclair, Ariclenes decide levá-las para comer salgados gordurosos por horas, para que ficassem mais "cheinhas". No fim, ele as leva ao lugar marcado horas depois e se reencontra com seu eterno inimigo, ao som de uma música de filmes de faroeste, mostrando que a guerra está só começando.

Depois do fracasso que foi a tola e confusa Tempos Modernos, parece que a Globo pode recuperar sua audiência no horário das 19h, com o remake de Ti-Ti-Ti. Foi só o primeiro capítulo, é verdade, mas a impressão que ficou é de que a nova novela está com tudo para se consagrar entre o grande público. Agora, é aguardar os próximos capítulos.

sábado, 22 de maio de 2010

A lenda do Santo Beberrão



Depois de muitos anos sem uma adaptação de uma obra de Jorge Amado para o cinema (a última foi “Tieta do Agreste”, de Cacá Diegues, em 1996), o diretor Sérgio Machado lança o filme “Quincas Berro d’Água”. A produção, baseada no livro “A Morte e a Morte de Quincas Berro d’ Água”, tem Walter Salles como um dos produtores e conta com um elenco de peso, como Paulo José, Mariana Ximenes e Marieta Severo para conquistar o grande público.

A trama se desenvolve a partir do falecimento de Quincas (Paulo José, numa atuação muito inspirada), funcionário público que largou a família para se tornar um dos mais famosos beberrões de Salvador. Seus companheiros de farra decidem, então, roubar o corpo e dar a ele mais uma noite de diversão com a cafetina Manuela (Marieta Severo, sempre ótima), seu grande amor. Sua filha Vanda (Mariana Ximenes, um pouco diferente das mocinhas que interpreta na TV) e o genro Leonardo (Vladimir Brichta, vivendo mais uma vez um personagem bobo e ingênuo) vão ao submundo baiano para tentar desfazer a confusão. Acabam descobrindo que têm muito mais a ver com aquilo que eles rejeitam do que imaginam.

Realizador de “Cidade Baixa”, de 2005, Sérgio Machado volta a mostrar o universo da parte pobre de Salvador, amparado pelo texto de Jorge Amado. O diretor tem como mérito realizar boa parte do filme em locações pela capital baiana, mostrando as ruas sem aquela cara de cartão postal. A parte técnica do filme também merece destaque, especialmente numa das sequências finais, que acontece durante uma viagem de barco em plena tempestade. Um apuro que raramente se vê em produções nacionais.

No entanto, Machado não consegue fazer com que a história fique mais dinâmica. Em algumas partes, o filme se arrasta com algumas situações, como quando o grupo de amigos de Quincas tem que roubar uma galinha para fazer um despacho, que demora mais do que deveria. Além disso, há o desperdício de alguns atores, especialmente de Marieta Severo, que aparece muito pouco, apesar de sua boa interpretação. Outra coisa que não fica bem clara é a transformação de um cidadão respeitável num boêmio “pudim de cachaça”. A mudança se resume a poucas cenas, que são rápidas e não esclarecem muito.

Mas “Quincas Berro d’ Água” tem chances de ser um sucesso de bilheteria, porque tem piadas que caem bem no gosto popular e um protagonista que, como o próprio diz (em off) tem uma vida muito mais animada que muito vivo por aí. Outro destaque é o grupo de malandros formado por Pé de Vento (Luís Miranda), Cabo Martim (Irandhir Santos), Pastinha (Flávio Bauraqui) e Curió (Frank Menezes), que transformam a triste morte de uma pessoa querida numa grande festa. Resta saber se o público vai aceitar o convite.

sábado, 15 de maio de 2010

A Helena que não valeu a pena (Ou a mulher que ninguém amou)



Pois é, faz muito tempo que não escrevo sobre novelas. Mas não pude resistir após o fim daquela que foi uma das piores que a Globo apresentou nos últimos anos, no horário nobre (e olha que a Glória Perez não tem culpa no cartório desta vez). Viver a Vida trouxe de volta o escritor Manoel Carlos, após três anos. De uma coisa, posso dizer: ele se superou desta vez. O autor consguiu escrever uma novela pior que a sua antecessora, a nada memorável Páginas da Vida.

Com uma trama que não tinha nada de especial, a não ser, talvez a questão da superação, retratada na modelo Luciana (Alinne Moraes) que, depois de um grave acidente, fica tetraplégica, Viver a Vida não trouxe nenhuma novidade, nem figuras realmente marcantes. Além disso, Manoel Carlos criou personagens que não acrescentavam nada à história. Tanto que foram sacados da novela sem cerimônia, como a da bela Débora Nascimento, que só apareceu no início e depois, ninguém sabe, ninguém viu, embora seu nome aparecesse nos créditos da abertura todo o dia.

Além disso, foi notório que Manoel Carlos não escrevia muito em seus capítulos, pois muitos deles foram preenchidos com flashbacks longos e que foram repetidos várias vezes. Ou seja, o espectador não precisava se preocupar em perder algum capítulo. Mais adiante, ele poderia ver aquela cena que poderia causar dúvidas de continuidade. A direção morna e sem graça de Jayme Monjardim (que deve achar que isso é o seu "estilo", já mostrado em Páginas da Vida e no filme Olga) também não ajudou a criar maior simpatia pela novela.

Mas o maior pecado de Manoel Carlos em Viver a Vida foi, certamente, a Helena que ele escreveu para a novela. No início da trama, ela era uma modelo bem resolvida com sua vida, mesmo com um trauma no passado (no caso, um aborto para não prejudicar sua carreira). Mas, aos poucos, ela se transformou numa mulher sem força e energia para superar seus desafios, ao contrário das protagonistas anteriores. De heroína, Helena quase virou uma vilã, já que ela impediu que Luciana fosse num carro com ela durante uma viagem, que poderia tê-la evitado de sofrer o acidente. Passado o trauma, ela foi ficando cada vez mais sem voz ativa na trama, se tornando submissa ao marido machista e mulherengo, Marcos (José Mayer), e, ápice dos ápices, da mãe de Luciana, Teresa (Lília Cabral, excelente do início ao fim da novela).

A cena que melhor marca como Helena se transformou de protagonista para coadjuvante foi quando ela se encontrou com Teresa e pediu perdão de joelhos pela situação de Luciana após o acidente. A mãe aproveitou a imagem patética diante de seus olhos e tascou um tapa na cara da modelo. Quem olhasse aquilo com um pouco mais atenção, poderia achar que estava vendo Sinhá Moça, Escrava Isaura e outras novelas sobre escravidão, onde Helena era a escrava fujona, mas arrependida, que se submetia aos caprichos da senhora de engenho.

A partir daí, a situação de Helena não melhorou. Ela engravidou, não teve apoio do marido e logo em seguida perdeu a criança. Enquanto isso, a história de Luciana crescia cada vez mais, tomando de vez o posto de protagonista. O público, cada vez mais envolvido com a história da bela tetraplégica, nem deu bola para o sumiço de Helena. Quando ela aparecia, estava envolvida em situações fúteis, que nada acrescentavam à trama. Só quando ela flagrou Marcos com Dora (Giovanna Antonelli, que deveria ser a vilã, mas virou uma pobre coitada) que ela mostrou algum poder de reação, mas foi muito pouco.

No fim da novela, Manoel Carlos ainda escreveu uma cena ridícula, onde Helena, já com seu novo namorado (Thiago Lacerda) se levanta da cama e diz que sabe que está grávida, como se fosse a coisa mais fácil do mundo de se prever. Um desfecho totalmente banal para a personagem vivida por Taís Araújo, que já teve mais sorte com protagonistas, como em Da Cor do Pecado e até em Xica da Silva. A única coisa louvável do último capítulo foi o depoimento do maestro João Carlos Martins, sobre sua superação para voltar a trabalhar com a música, mesmo com problemas nas mãos. Mas não apagou a má impressão do desperdício que foi Viver a Vida, especialmente da sua Helena.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A noite em que as mulheres foram mais duronas no Oscar



Pois é, mais uma vez cumpro o meu ritual e assisto, sem piscar os olhos, a cerimônia do Oscar. Acompanhei tudo pela TNT, pois achei um absurdo a Globo só exibir depois do BBB, quase à meia-noite desta segunda-feira, com um monte de prêmios já dados. Mas quase não consegui ver, porque a emissora a cabo teve vários problemas de transmissão. Mas vamos ao que interessa.

A cerimônia do Oscar deste ano teve muitas novidades, mas nenhuma delas foi de grande impacto ou causou melhoras em relação aos anos anteriores. Bom, talvez uma, se você não suportava números musicais das canções indicadas ao prêmio (alguns deles eram constrangedores mesmo). Aumentaram a duração das homenagens e, admito, uma delas me tocou em especial: a que foi feita para o diretor/roteirista John Hughes, que criou clássicos para a minha adolescência, como Curtindo a Vida Adoidado, A Garota de Rosa Shocking, ou mesmo Mulher Nota Mil (um dos meus prazeres proibidos, admito). Além desses, Hughes fez uma das melhores comédias de Steve Martin, Antes Só do Que Mal Acompanhado e escreveu os roteiros da série Esqueceram de Mim. Foi ótimo ver alguns dos atores revelados em seus filmes, como Molly Ringwald, Matthew Broderick, Jon Cryer, Judd Nelson e Macaulay Culkin, num tributo mais do que merecido. Já as outras homenagens não foram tão impactantes, como o especial sobre filmes de terror e o que lembrava os profissionais do cinema que faleceram ficou apenas interessante com a apresentação de James Taylor cantando In My Life.

Este ano, foram dois apresentadores, Steve Martin e Alec Baldwin. Embora se mostrassem em sintonia, algumas de suas piadas não funcionaram como esperado. Aliás, o que foi o George Clooney olhando de cara feia para o Baldwin? Perdi alguma coisa? Acho que vou mandar um e-mail para a academia pedindo o Ben Stiller ou mesmo a volta do Billy Cristal no ano que vem.

Falando no Ben Stiller, tenho que admitir que, mais uma vez, ele roubou a cena na hora de apresentar um prêmio, como foram nas edições anteriores. Totalmente maquiado como um dos personagens de Avatar, ele fez gracinhas com o James Cameron, que mostrou espírito esportivo, e ainda brincou com o fato da cauda de sua fantasia ser "controlada" por uma vara de pescar, ao dizer que o cinema evoluiu muito. Palmas para ele!

Quanto às premiações, não houve grandes surpresas e foi até tedioso em alguns momentos. Todos sabiam que Christoph Waltz e Mo'Nique iriam ganhar como Ator e Atriz Coadjuvantes em Bastardos Inglórios e Preciosa, assim como Up - Altas Aventuras levaria a estatueta de Melhor Aminação. As únicas coisas que pareceram fora de ordem foram o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, já que davam como certo que o vencedor seria o texto de Amor Sem Escalas e acabou indo para Preciosa, onde o roteirista, na hora de agradecer, admitiu ter dado um branco nele para lembrar todas as pessoas no seu discurso, devido à forte emoção. Outra surpresa foi O Segredo dos Seus Olhos, da Argentina, bater o franco favorito A Fita Branca, da Alemanha.

Também não foram surpreendentes as vitórias de Jeff Bridges e Sandra Bullock como Melhor Ator e Atriz, respectivamente. Os dois fizeram discursos longos, onde, aparentemente, não deixaram de lembrar ninguém. Aliás, nada como um dia após o outro, né Sandra? Após ter ganho o Framboesa de Ouro como Pior Atriz em All About Steve, deve ter sido ótimo para ela ter sido ovacionada pelo público por ganhar seu Oscar. Agora é ver se no próximo ano, a Mery Streep ganha, finalmente.

Finalmente, a batalha decisiva entre James Cameron e Kathryn Bigelow acabou com a vitória dela sobre o ex-marido. Mesmo com a desastrada ideia de um dos produtores de enviar e-mails para membros da Academia para prestigiar Guerra ao Terror em detrimento a Avatar, deu tudo certo para o filme de baixa produção, que foi ignorado até pelos distribuidores brasileiros (já está disponível em DVD). Ela (muito bonita, por sinal), como disse Barbra Streisand antes de anunciá-la como vencedora de Melhor Direção, fez história sendo a primeira mulher a ganhar nesta categoria. Sua produção ganhou o Oscar principal da noite, anunciado por um apressado Tom Hanks. Resta agora as pessoas descobrirem este filme. Quanto a Cameron, teve que se contentar com apenas três estatuetas: Fotografia, Efeitos Visuais e Direção de Arte. Desta vez, o Rei do Mundo ficou a ver navios.

Bom, assim foi o Oscar 2010. Agora é, mais uma vez, aguardar o que vem por aí para 2011.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pipoca azul e em 3-D



Pois é, depois muuuuuuuuuito tentar, finalmente consegui ver o blockbuster bicho papão de bilheteria Avatar, com tudo a que tinha direito: exibição em 3-D, muita pipoca e refrigerante. Porque sabia que, para absorver toda a experiência que é a nova produção de James Cameron (que não filmava desde 1997, quando Titanic dominou o mundo - e os Oscars) tinha que ser desta maneira.

Mas vamos ao filme em si. Para quem achava que Cameron havia se enferrujado após anos praticamente desaparecido do mapa (ele só dirigiu alguns documentários sobre o fundo do mar e episódios da finada série de TV Dark Angel, sem contar uma hilária participação na série Entourage, onde apareceia como o diretor de um filme sobre Aquaman!!!), teve uma agradável surpresa. Em cada imagem de Avatar, é possível ver a marca de sua direção, mesmo nos momentos onde a computação gráfica impera, ao mostrar os segredos do planeta Pandora e a tribo dos Na'vi. Ele sabe, como poucos, fazer o expectador ficar preso à cadeira com suas ótimas cenas de ação, se emocionar nos momentos de maior tensão da trama e torcer para que os mocinhos vençam e os bandidos paguem por seus crimes. Aliás, Cameron também mostra como é bom diretor de atores, onde tem um grupo homogêneo como o novo astro Sam Worthington (O Exterminador do Futuro - A Salvação), a consagrada Sigourney Weaver (Alien) e o veterano, porém pouco lembrado Stephen Lang, e tira deles boas atuações, que tornam a produção ainda mais atraente.

Um destaque à parte vai para a atriz Zöe Saldana (a Uhura de Star Trek)), que ela vive Neytiri, uma membro dos Na'vi. Ela mostra uma expressão corporal impressionante e as emoções mostradas no seu rosto são tão cativantes que, depois de um tempo, você se esquece que está diante de um ser digital. Um exemplo está na cena da morte de um personagem importante para ela. Suas reações não transparecem em nenhum momento que a atriz está, na verdade, ligada a computadores para captar seus movimentos, tamanha é sua entrega na cena em questão. Além disso, a expressão de seus olhos, que sempre foram o calcanhar de Aquiles em produções anteriores, como O Expresso Polar, dessa vez se mostra muito mais eficiente, fazendo Neytiri mais sedutora.

Mas nem tudo é maravilhoso em Avatar. O principal problema do filme está em seu roteiro, muito clichê em alguns momentos. A trama lembra filmes como Dança com Lobos, O Último Samurai ou o hoje pouco lembrado Um Homem Chamado Cavalo, onde o protagonista muda seu modo de viver ao conviver com um grupo diferente do qual estava acostumado. A mensagem ecológica da produção também pode aborrecer às pessoas que acham o Greenpeace chato, por exemplo. Talvez por isso que, mesmo com a bilheteria astronômica que tem até agora, o filme não é uma unanimidade.

Isso, no entanto, não estraga o prazer ver uma obra com tantas coisas singulares quanto Avatar. O filme mostra novas formas de usar o 3-D (como a colocação das legendas, que ficam "flutuando" entre os personagens ou algum elemento de cena) e como se pensar novas produções com essa nova tecnologia. Já anunciaram até que o novo Homem Aranha será feito dessa maneira. Vamos ver no que vai dar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A bad trip do tenente mau



Vou confessar duas coisas: ainda não consegui ver Avatar no cinema por questões de agenda e a minha insistência em assisti-lo apenas em 3D, já que a procura por ingressos para esse tipo de sessão está, realmente, complicada. A segunda, é sobre a versão original de Vício Frenético, feita nos anos 80 por Abel Ferrara e protagonizada por Harvey Keitel: também nunca a vi. Portanto, este texto sobre o mais recente filme de Werner Herzog não fará uma comparação entre o primeiro filme e o remake, combinado?

Assisti ao filme como plano B, após mais uma tentativa frustrada de ver o novo arrasa-quarteirão de James Cameron, já que uma parte de mim estava curiosa para ver se Nicolas Cage estava atuando tão bem quanto eu lia em vários sites, blogs e publicações. E realmente ele não decepcionou. Acostumado a fazer personagens alucinados, como em Despedida em Las Vegas (que lhe deu seu único Oscar até agora) o ator vai fundo para viver o tira Terence McDonagh que, após um mergulho mal dado para salvar um preso de se afogar numa cela inundada pelas águas após a passagem do furacão Katrina, em Nova Orleans, tem dores na coluna, o que o levam a consumir todo o tipo de droga. ' Todas com receita, exceto a heroína!', ele diz num certo momento da trama. A partir daí, por causa do seu vício, ele não se importa em abusar de seu poder para obter os narcóticos, nem que para isso tenha que se aliar a traficantes que possam estar ligados ao assassinato de toda uma família africana.

Um dos pontos positivos do filme está na maneira que Terence é mostrado. Se, ao mesmo tempo, ele aparece como um policial empenhado em fazer bem seu trabalho e elucidar o crime para o qual foi designado para investigar, assim como é carinhoso com seu pai e a madrasta e a namorada Frankie (Eva Mendes, que mais uma vez interpreta a latina gostosona), ele também é capaz de cometer as maiores atrocidades, como ameaçar de morte duas idosas (numa sequência tragicômica) em busca de informações. O roteiro tomou cuidado para deixar o protagonista mais tridimensional e não somente malvado.

Outra questão interessante é como Herzog mostra Nova Orleans no filme, sempre nublada e cinza, sem nenhum aspecto alegre e colorido, como se a cidade ainda não tivesse se recuperado do furacão que passou. O diretor também inova ao filmar os delírios causados pelas drogas em Terence. Com uma câmera operada por ele mesmo, Herzog mostra que o policial não consegue distinguir realidade da ficção, ao mostrar iguanas que só ele enxerga, deixando aqui o público intrigado com o que está assistindo.

Mas o filme tem algumas falhas que não dá para perdoar. Um exemplo disso é como alguns dos problemas de Terence são resolvidos numa única cena, de maneira bem rápida. Além disso, o personagem de Val Kilmer (que, gordo e com uma cara acabada, nem de longe lembra o ator que fez Top Gun, The Doors e Batman Eternamente) começa participando ativamente da investigação dos assassinatos, desaparece sem mais nem menos, e só volta na parte final da história, causando uma certa confusão.

Por fim, Vício Frenético não é um filme revolucionário (nem pretende ser). Mas tem um saldo mais positivo do que negativo ao acompanhar a jornada de um policial que tenta fazer as coisas direito, mas não consegue se livrar de sua dependência e fará de tudo (mas tudo mesmo) para mantê-la, numa ótima composição de Nicolas Cage. Reparem, por exemplo, como ele passa a andar de maneira torta à medida que o seu vício fica cada vez maior, como se mostrasse o monstro que quer sair de dentro dele e dominá-lo de vez.

P.S.: Não escreverei sobre o Globo de Ouro deste ano porque só assisti a parte da cermônia. Não seria justo.

P.S. 2: Ainda verei Avatar em 3D este mês. Questão de honra.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lula, galã com cara de Brasil



Pois é, depois de um loooongo tempo hibernando (culpa minha, assumo), decidi cumprir uma das minhas promessas para 2010: reativar o Chubala's Blog. Então, pus a minha preguiça de lado e religuei os meus neurônios. Mas agora, vamos ao que interessa.

Filmes sobre presidentes são uma coisa perigosa no cinema: ou eles colocam a pessoa num pedestal ou criam situações inverossímeis. No primeiro caso, podemos colocar produções como Meu Querido Presidente, com Michael Douglas, ou Força Aérea Um, onde Harrison Ford detona terroristas que ameaçam a democracia e a paz mundial sem perder o estilo Indiana Jones, no segundo. Portanto, o que dizer de um filme que é lançado para mostrar a dura vida do chefe de Estado mais popular dos últimos anos no Brasil em pleno ano de eleições? Uma (in) feliz coincidência?

De qualquer forma, o post aqui não é sobre questões políticas ou posicionamentos partidários. É sobre a mais nova tentativa de se fazer um blockbuster no país. Lula, o Filho do Brasil foi produzido com todo o poder de fogo que poderia ser oferecido pelo casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Tecnincamente, o filme é impecável, com boa trilha sonora (ainda que apelativa) de Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, uma fotografia que alterna cores quentes com um granulado que parece ser de câmera digital e uma ótima recriação da época vivida pelos personagens. Mas no quesitos roteiro, direçao e emoção é que estão os principais problemas.

O filme gosta de enfatizar apenas as boas características de Luiz Inácio Lula da Silva, desde criança até assumir a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Mas omite toda e qualquer questão ideológica dele, como ele diz durante uma conversa com um militar que não é comunista nem nada, tornando uma pessoa apartidária, quando sabemos que é impossível não haver ligação entre grupos políticos quando se entra nessa vida. Talvez seja esse o problema de retratar alguém que ainda está vivo e no poder num filme biográfico. Não dá para mostrar as falhas que realmente aconteceram em sua trajetória.

Além disso, o roteiro não tira a sensação de que não estamos vendo uma história, mas sim episódios isolados da vida de Lula, que se conectam de forma irregular. Numa hora, vemos o protagonista ainda inocente ao entrar para o sindicalismo. Logo em seguida, ele já está como um líder para os seus companheiros, sem muita cerimônia. O mesmo vale para a parte romântica do filme. As personagens de Cleo Pires, que vive a primeira esposa de Lula, e Juliana Baroni, a segunda e atual Primeira-Dama, Marisa, surgem meio que do nada no filme, especialmente a de Cleo. Tudo bem que ela aparece ainda jovem na adolescência de Lula. Mas parece que ela foi jogada de qualquer jeito quando cresce. E quando ele conhece Marisa, ele já vai se declarando para ela sem ter nenhum clima para isso. Os dois, aliás, protagonizam a única cena cômica do filme, quando ele a chama para sair quando já havia outra pessoa esperando por ela.

Mas o principal problema de Lula, o Filho do Brasil está mesmo na direção de Fábio Barreto. Ele tem alguns acertos, como a recriação de um discurso de Lula num estádio lotado para metalúrgicos, quando ele, sem microfone, pede para que as pessoas passem para as outras as frases que ele conta. Aliás, é louvável a interpretação de Rui Ricardo Silva quando fala para o público, com o mesmo jeito que deixou Lula famoso. Mas Fábio Barreto tem um grave problema. Na tentativa de emocionar o público, ele o deixa muitas vezes sem sentir nada, apenas observando o que acontece na tela, sem causar reação.

Para piorar, Barreto termina o filme da mesma maneira que sua produção mais conhecida, O Quatrilho. Quando achamos que o filme vai começar a empolgar de verdade, ele termina, como se tivesse acabado sua verba (o que deve ter sido impossível). Aliás, o que salta aos olhos assim que a produção começa é o imenso número de empresas que a patrocinaram e ajudaram na sua realização.

O elenco, pelo menos, não deixa a peteca cair. Glória Pires, escalada para viver Dona Lindu, mãe de Lula, trabalha com a competência que a consgrou como uma das melhores atrizes da atualidade. Sua filha Cleo não compromete, assim como Juliana Baroni. O pai do protagonista, vivido por Milhem Cortaz, causa revolta e asco graças ao bom trabalho do ator. Por fim, Rui Ricardo Silva, embora seja mais alto e atlético do que Lula, mostra que se dedicou bastante para não fazer feio como seu primeiro protagonista no cinema.

Enfim, Lula, o Filho do Brasil pode até fazer sucesso no cinema (embora acho pouco provável que derrote filmes como Avatar). Mas como filme, é pouco memorável, sendo esquecido rapidamente quando as luzes se acendem.

domingo, 1 de março de 2009

Oscar se rende à terra de Bollywood

Pois é, mais uma vez descumpri as minhas promessas e deixei de publicar meus textos há bastante tempo. É que tive vários contratempos que acabaram me deixando fora do blog. Mas agora chega de desculpas e vamos ao que interessa.

Como foi no ano passado (e como deve ser nos próximos anos), fiquei acordado até tarde para assistir ao Oscar 2009, com o agravante de que a festa foi no domingo de Carnaval. Acredito que cerca de 95% das pessoas que ficaram em casa naquela noite quis mais é assistir às escolas de samba do que saber quem seriam os vencedores da estatueta careca. Ainda mais porque, por causa das coincidências, nenhuma TV aberta quis transmitir a premiação, preferindo cobrir os desfiles no Sambódromo do Rio.

A cerimônia do Oscar 2009 foi apresentada por Hugh Jackman, que entrou no lugar de Jon Stewart. O eterno Wolverine fez de tudo para mostrar que é versátil: cantou (e não é que ele tem uma boa voz?), dançou, sentou no colo de Frank Langella (um dos indicados a Melhor Ator, por Frost/Nixon), fez dueto com Anne Hathaway e fez piada com os filmes concorrentes no número de abertura. Mas depois, só foi ter mais destaque ao fazer um número com Beyoncé Knowles e os jovens atores de High School Musical 3 e Mamma Mia!, dois musicais que foram sucesso de bilhetreria em 2008. Será que sou só eu que gostava do Billy Cristal?

Houve algumas inovações, como ter um mesmo apresentador para várias categorias semelhantes, além da utilização de atores premiados ns anos anteriores para dar o Oscar ao vencedor deste ano. Interessantes, mas vamos ver quanto tempo elas vão durar.

Quanto aos ganhadores, não houve grandes surpresas. Quem Quer Ser Um Milionário? mereceu os Oscars de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e os outros cinco que recebeu, em particular o Trilha Sonora, realmente muito boa. Já o recordista de indicações deste ano, O Curioso Caso de Benjamim Button, teve que se contentar com três prêmios, todos técnicos. A Academia parecia não querer premiar um filme que, para muitos, se parece com Forrest Gump. Milk - A Voz da Igualdade saiu com dois Oscars importantes, o de melhor ator para Sean Penn (que desbancou o favorito Mickey Rourke, por O Lutador) e o de roteiro original. Penn, aliás, fez o melhor discurso de agradecimento da noite, onde enalteceu o presidente Barack Obama e criticou a suspensão do casamento gay na Califórnia, além de elogiar e consolar Rourke pela derrota. Kate Winslet, Melhor Atriz por O Leitor, e Penélope Cruz, Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona, revelaram algo semelhante ao receber seus Oscars: que poderiam desmaiar a qualquer momento. Se isso acontecesse, certamente entraria para a história da cerimônia. Kate ainda brincou com Meryl Streep, que concorria pelo filme Dúvida, dizendo que ela teria que aceitar que aquele Oscar era dela. O momento mais óbvio, e ao mesmo tempo mais emocionante, foi a premiação póstuma para Heath Ledger como Melhor Ator Coadjuvante, pelo ótimo Coringa que fez para Batman - O Cavaleio das Trevas. A família do astro, morto por causa do mau uso de remédios, subiu ao palco e agradeceu a todos. Muita gente famosa apareceu com lágrimas nos olhos nessa hora.

Assim, mais um Oscar se foi. Fico feliz de que Boyle tenha tido seu reconhecimento no prêmio máximo do cinema mundial pois acompanho sua carreira há bastante tempo e sempre o achei um diretor muito talentoso. Agora, é aguardar a cerimônia de 2010. Jai Ho!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Revelações folhetinescas

Quando A Favorita começou, o grande mistério da trama não era, segundo o autor João Emanoel Carneiro, quem matou, mas sim quem estava mentindo. Só por ter essa concepção, a novela já tinha me conquistado. Mas para a minha surpresa, outros elementos também se mostraram satisfatórios e além da expectativa. Mas convenhamos, fazer pior que Aguinaldo Silva em Duas Caras, só adaptando Os Mutantes da Record para a Globo.

Para mexer um pouco na estrtura dos folhetins (e, provavelmente, aumentar a audiência que ainda não é lá essas coisas), o escritor decidiu mostrar que Flora (Patrícia Pillar) era a verdadeira assassina antes da trama terminar. Para alguns, a escolha foi frustrante porque houve maior simpatia por ela do que por Donatela, até porque Cláudia Raia era mais escaldada em fazer vilãs, embora nunca conseguisse bons resultados como em Torre de Babel e em Sete Pecados. Para outros, antecipar o mistério não faria a trama realmente "andar", algo que discordo totalmente.

Ao assisitir o capítulo onde foi revelada a verdade sobre o assassinato de Marcelo (aliás, não dava para ele ser vivido por um ator melhor, não?), parecia que eu estava assitindo a uma nova versão de Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman. Explico: assim como no filme, onde o protagonista revê seu passado, mas com a mesma aparência dos dias atuais, Flora e Donatela surgem como são atualmente, numa cena que, se não foi perfeita, pelo menos foi bem impactante e as duas atrizes deram conta do recado, especialmente a Patrícia Pillar. E o clima foi mesmo de último capítulo.

Além disso, o recurso de mostrar o criminoso antes do fim não é novo. Alfred Hitchcock utilizou essa possibilidade em Frenezi, filme pouco conhecido que marcou sua volta ao cinema inglês. Nele, é descoberto logo no primeiro terço da trama que o estrangulador de mulheres que age em Londres é um homem elegante, boa pinta e amigo do principal suspeito, que justamente o seu oposto. Feio, mau humorado e impopular, ele na verdade é o mocinho da história e tenta durante todo o filme provar que é inocente. Mas Hitchcock não é mestre por acaso. Ele faz o espectador não se simpatizar com o protagonista logo de início. Só depois que descobrimos quem é o verdadeiro monstro, é que passamos a torcer por ele. Se A Favorita conseguir fazer o mesmo com Donatela, já posso considerar uma das melhores obras feitas para a TV nos últimos anos. Mas isso, só dá para concluir nos próximos capítulos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O triunfo do Morcego e do Palhaço

Quando vi O Corvo, nos anos 90, tive uma profunda tristeza ao seu término pois havia assistido o melhor filme da carreira de Brandon Lee, filho do lendário Bruce, sabendo que era o seu último: Brandon morreu durante as filmagens quando foi baleado por uma bala de festim mal calibrada. A mesma sensação pude sentir ao assistir a produção mais esperada por mim neste ano: Batman - O Cavaleiro das Trevas, por causa da avassaladora performance de Heath Ledger como o Coringa.

Vai parecer chover no molhado falar que Heath Ledger está ótimo e que fez um Coringa absolutamente fantástico, que conseguiu calar a boca de muita gente (inclusive a minha), que ficou desconfiada na época que foi anunciada sua escalação. Mas é impressionante como ele surpreende a cada cena que surge, imprimindo um humor sarcástico e diabólico, além de fazer algo que nenhum outro intérprete do personagem conseguiu: ele dá muito medo! Ao contrário de Jack Nicholson (ou Cesar Romero), que fazem piadinhas enquanto tentam realizar seus planos pouco ameaçadores, o Coringa de Ledger tem um objetivo muito simples: enlouquecer tudo e a todos ao seu redor. Seus atos são bastante imprevisíveis e isso é um mérito do roteiro escrito pelo diretor Christopher Nolan e seu irmão, Johnathan, além da dedicação demonstrada por Ledger ao papel.

Mas o filme não é só do vilão. Ou melhor, de apenas um vilão. Os irmãos Nolan dedicam boa parte da trama à história de Harvey Dent, o Cavaleiro Branco, o promotor que se mostra incorruptível e tão dedicado à justiça que encanta os moradores de Gotham, em especial Rachel Dawes (vivida pela ótima Maggie Gyllenhaal, que embora não seja tão graciosa quanto Kate Holmes, é melhor atriz) e o próprio Bruce Wayne. Ele chega a pensar em aposentar a capa e viver uma vida normal, quase como o Superman e o Homem-Aranha fizeram nas sequüências de suas aventuras. Mas o Coringa surge com suas ações diabólicas para desestabilizar o correto Dent e se torna um dos principais responsáveis por sua queda e a transformação dele no terrível Duas Caras. O ator Aaron Eckhart, que já tinha mostrado um bom trabalho em Obrigado Por Fumar, revela-se mais um acerto na escalação do elenco. Ele mostra que uma pessoa, quando submetido a uma grande pressão, pode não resistir e acabar indo contra a tudo que acredita, inclusive aqueles que se ama.

O mesmo acontece com o próprio Batman. Em mais uma ótima interpretação, Christian Bale demonstra muito bem que os eventos causados por suas ações e as do Coringa afetam profundamente seu modo de ser. Com o passar da trama, ele é levado a tomar decisões que ele acredita ser as corretas, mesmo que ele acabe sofrendo as consequências, para ajudar as pessoas que precisam ser ajudadas, apesar de ele dizer em um momento de que não é um herói. Só por esse paradoxo, seu Batman é superior a todos que surgiram na tela grande até agora.

Assim, o diretor Christopher Nolan merece os parabéns por criar e conduzir uma trama tão cheia de nuances, onde há mais seriedade do que poderia parecer numa adaptação de histórias em quadrinhos para o cinema. Nolan consegue ser muito mais fiel à parte psicológica dos personagens do que à estética destes. Um exemplo óbvio é o Coringa, que aparece com maquiagem borrada e um cabelo mal pintado de verde, ao contrário da versão em que aparece com a pele branca por causa de um acidente em um tonel de substâncias químicas, como nas revistas. Mas toda sua anarquia e desejo por destruição física e mental (como mostrado na história mais famosa do Palhaço do Crime A Piada Mortal) estão presentes, tornando-o verdadeiramente fascinante e perturbador.

Além disso, não tem como não se sentir arrastado pelo turbilhão de emoções que Batman - O Cavaleiro das Trevas proporciona aos espectadores. São mais de duas horas e meia de projeção, que nem dá para sentir. Ao fim do filme, a vontade é de ver o próximo capítulo logo em seguida. Pena que, se houver uma terceira parte, não será mais possível ver Heath Ledger incendiando as telas de cinema com sua performance como o Coringa. Mas, se nada mais der errado, teremos Bale mais uma vez em breve mostrando mais vez porque ele é o verdadeiro Cavaleiro das Trevas. Long Live The Bat!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Nem barro nem tijolo

O futebol é mesmo uma grande paixão para os brasileiros. Sei que essa frase pode parecer clichê, mas é fato de que a grande maioria dos brazucas se emociona, vibra, chora, xinga, reclama e gosta de ver esse esporte bretão todas as vezes que puder. Por isso, é óbvio que, quando ocorre uma partida em que houve uma grande expectativa e ela é frustrada, a torcida em massa fica indignada. E isso se torna ainda pior quando a seleção brasileira joga mal durante as eliminatórias da Copa, como foi no jogo de ontem, contra a Argentina no Mineirão.

O time comandado por Dunga vem de péssimos resultados, seja na competição ou em amistosos. O pior deles foi, com certeza, a primeira derrota sofrida pela Venezuela na história em jogo nos EUA. Acredito que a coisa mais incômoda nesta seleção é de que o futebol apresentado por ela é burocrático demais, com excesso de toques para o lado, sem nenhuma objetividade. E isso não é de hoje, apenas ficou mais evidenciado nas últimas partidas. O Brasil se acostumou com um futebol ofensivo, combativo, com raça. Mas não é isso que tem surgido nos jogos mais recentes. E, com certeza, não foi isso que foi visto no empate sem gols e sem graça com a Argentina.

O pré-jogo, aliás, merece algumas observações. Ao começar a transmissão da partida pela TV, vimos imagens de uma verdadeira festa no gramado, com homenagens ao Pelé (não que ele não mereça), show do Jota Quest (e mais tarde do Skank, que disseram que agitou mais a galera do que os jogadores), acenos do governador Aécio Neves para os torcedores, entre outras coisas que mais parecia a final do Superbowl nos EUA . Ao ver aquilo, logo veio a minha mente a comemoração antecipada do Flamengo antes do jogo contra o América-Mex pela Libertadores 2008. Bandinha tocando, faixas comemorativas, homenagens ao técnico Joel Santana (que iria deixar o clube para comandar a África do Sul), mas na hora de jogar, o rubro-negro decepcionou e foi eliminado de forma vergonhosa da competição. Ou seja, da próxima vez que vir muitas luzes e festas antes do jogo, vou desconfiar seriamente do futebol que será apresentado.

Assim como na derrota do Flamengo, a seleção brasileira não mostrou nenhum brilho durante toda a partida. Alguns disseram que o Brasil estava atuando mais como time grande, ao contrário da derrota para o Paraguia no último domingo. Mas a verdade é que a atual seleção brasileira não é um time de verdade, apenas um bando de jogadores que se reunem de vez em quando para ver no que vai dar na hora. Não há uma jogada ensaiada, não há qualidade nos passes e mesmo os talentos individuais não resolveram nada, como Romário ou mesmo Ronaldo nos bons tempos. O que dizer do lance em que Robinho, ao invés de tentar passar para outros jogadores ao avançar pela pequena área, resolveu driblar todo mundo até se ver cercado por um monte de argentinos?

Enfim, a seleção brasileira continua devendo nas eliminatórias da Copa, está num incômodo quarto lugar (que pode perder, dependendo de futuros resultados) e não mostra reais sinais de recuperação. O técnico Dunga teve sua cabeça pedida por torcedores no Mineirão e, provavelmente, por muitos telespectadores. Mas será que mudando o treinador, o time entra nos eixos? Difícil prever isso. Mas acho que a atitude que tanto os jogadores diseeram ter tido ontem ainda não apareceu e não se converteu em gols. A situação é (de forma politicamente correta) preta e não verde-amarela.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ele (ainda) é o cara

Pois é, depois de um looooongo tempo sem postar nada, eis que retorno ao meu querido blog! Andei meio preguiçoso em escrever (horrível admitir isso, né?). Mas agora devo voltar ao meu ritmo normal e não deixar passar muito tempo em fazer novos textos por aqui.

Mas chega de lamentações e vamos ao que interessa. Assim como demorei a escrever de novo, demorei a ir ao cinema nos últimos meses. Porém, no último fim de semana, finalmente matei as saudades do telão, que para mim nunca é superado nem por VHS, DVD, internet e o que mais vier por aí. E, assim, como me reencontrei com o cinema, revi um dos meus heróis da adolescência, que estava sumido há quase duas décadas: o dr. Henry Jones Jr., mais conhecido como Indiana Jones!

Quando ouvi falar que o arqueólogo mais famoso do cinema iria voltar, admito que fiquei um pouco temeroso. Afinal, o terceiro filme da série, Indiana Jones e a Última Cruzada, havia mostrado um belo desfecho de suas aventuras, além de ter uma ótima cena final, com Jones, seu pai (numa ótima interpretação de Sean Connery) e seus dois amigos Marcus e Sallah (os excelentes Denhlom Elliot e John Rhys-Davies) cavalgando em direção ao sol. Então, para quê continuar depois disso? Bem, uma boa alternativa foi descoberta: a de que os heróis também envelhecem, assim como nós pobres mortais.

Depois de muitas indas e vindas, o diretor Steven Spielberg e o produtor George Lucas decidiram que Indiana Jones devia avançar em seu tempo (no caso, ter uma nova aventura no fim da década de 50). Logo, o arqueólogo tem que enfrentar não mais os nazistas, mas os russos, e algo mais fatal do que qualquer força oculta: o tempo. Assim, quando Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (título meio de filme da Xuxa, não acham?) começa, Spielberg fez questão de mostrar o herói com as rugas e o cabelo grisalho, que contrastam com a juventude dos soldados russos e de sua líder, Irina Spalko (vivida pela sempre ótima Cate Blanchett). Mas Indy logo vira o jogo ao seu favor e mostra um vigor impressionante para alguém com a sua idade (talvez algum efeito colateral de ter bebido água no Santo Graal?). É claro que Harrison ford, hoje com 66 anos, não faz todas as cenas de ação e é substituído por dublês. Mas quem se importa? A edição do filme é tão bem feita que ninguém nota a diferença e torce para que o personagem se dê bem em todas as confusões em que se mete, desde o começo até o fim do filme.

Outro acerto do filme é trazer de volta a primeira mocinha da série: Karen Allen, assim como Harrison Ford, envelheceu dignamente e, como o próprio herói diz num momento da história, houve outras mulheres, mas nenhuma como Marion Ravenwood. Quando ela sorri ao dizer isso, não tem como não concordar com Indy. Além disso, Spielberg fez uma boa aposta em Shia LaBeouf como Mutt Williams, o jovem rebelde filho de Marion que acaba se tornando o parceiro perfeito do dr. Jones.

Mas o filme não é perfeito, infelizmente. A trama envolvendo a caveira de cristal e seus misteriosos poderes não é muito bem desenvolvida e muitos elementos ficam mal explicados. Um exemplo disso é quando Spalko decide usar a caveira para controlar Indiana Jones, a ação não surte o efeito esperado e não é mais mencionada no desenrolar da trama. Além disso, os enigmas que Indy tem que desvendar são confusos e não são tão envolventes quanto nos filmes anteriores. Outro problema está em dois personagens mal-resolvidos, o parceiro suspeito "Mac" George McHale, vivido pelo "Beowulf" Ray Winstone e o professor Oxley, interpretado por John Hurt e inserido na trama para substituir Sean Connery, que não quis voltar a ser Henry Jones. Enquanto "Mac" não mostra grande função na trama, a não ser na primeira parte do filme, Oxley não acrescenta muita coisa, repetindo frases sem sentido e que não despertam nenhuma curiosidade. Aliás, é curioso notar que, se Indiana Jones inspirou outros filmes de ação, Spielberg se inspirou em uma de suas cópias para fazer uma seqüência: o ataque das formigas assassinas lembra muito a cena dos escaravelhos digitais de "A Múmia", dirigido por Stephen Sommers. Além disso, ficou estranha a relação de Indy com os russos. Em alguns momentos, ele se recusa veementemente a ajudá-los. Mas em outros, ele esclarece algumas das charadas de Oxley a Spalko sem demonstrar nenhuma contrariedade. A seqüência final, aliás, soa meio déja vu pois lembra muito o final de A Última Cruzada.

Mas Spielberg mostra que ainda sabe o que faz. As cenas de perseguição de moto nos EUA e a dos jipes na Amazônia são incríveis, embora nesta última é uma pena Indiana Jones dar espaço demais para o jovem Mutt brigar com os russos e, em especial com Spalko. Aliás, um parêntese. Em Cannes, a atriz Cate Blanchett pediu desculpas ao povo russo por sua interpretação. Não precisava, pois se ela não fez uma grande performance, em nenhum momento ela sujou o seu belo currículo com sua atuação. O problema talvez esteja nos clichês americanos que são criados para personagens estrangeiros. Isso vale também para a questão da pirâmide encontrada no Amazonas, que é mostrada no filme.

Enfim, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal pode não ser o super filme que muitos esperavam, mas está longe de criar grandes decepções nos espectadores. A produção mostra que ainda é possível fazer filmes agradáveis e despretensiosos quando se tem unidos um bom diretor, uma história interessante (que poderia ser melhor nesse caso), seqüências alucinantes e um ótimo protagonista. Aliás, Harrison Ford mostra que o tempo não pára, mas também pode não condenar. E, como fica mostrada na última cena, ele ainda é o cara. Que venham mais aventuras com Indy, então!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Era uma casa muito engraçada...

Curiosa a maneira como terminou a oitava edição do BBB, nesta terça-feira. Primeiro porque, como fizeram questão de alardear, não havia um real favorito para o prêmio de R$ 1 milhão. Não foi como no ano passado, onde o Diego Alemão já tinha ganho a disputa um mês antes do fim do programa. Talvez seja porque nenhum dos participantes de 2008 tenha tido carisma suficiente para conquistar o grande público. A cada semana, os telespectadores mudavam de favorito sem muita cerimônia. Como por exemplo a Thati Bione, que chegou a ser apontada como a vencedora por ter um caráter "verdadeiro", mas acabou irritando a vários membros da casa (e, de quebra, a audiência) com seu excesso de choro e sua mania de cantar e falar de forma chata.

Outro que também se perdeu no meio do caminho foi Marcelo, definitivamente o membro mais polêmico do BBB 8. Mal ele entrou na casa, decidiu fazer uma declaração "bombástica" para todos: de que era gay. Só que muita gente não acreditou na sua "saída do armário" porque desde o início ele arrastou sua asa para cima da Gyselle. Tanto que ele acabou confessando estar interessado nela e que vivia uma "fase heterosexual", seja lá o que seja isso. Marcelo também deixou de ser o favorito por decidir brigar com todos na casa, inclusive com sua favorita. É claro que um dos sucessos do programa são os "barracos", que podem tornar os envolvidos erm queridinhos dos telespectadores. Mas Marcelo foi equivocado em sua estratégia e acabou sendo posto para fora da casa bem antes da final.

Além disso, o BBB 8 mostrou que praticamente nenhum dos participantes prezava por sentimentos de companherismo. O exemplo mais claro disso foi a Gyselle, que desde o início parecia estar alheia a tudo e a todos, a ponto de se excluir e ser excluída pelos outros. Mas, inexplicavelmente, ela acabou vencendo todos os paredões que teve que disputar e só veio a perder mesmo na final. De uma certa maneira, ela acabou sendo uma vencedora porque botou todo mundo para trás e saiu da casa R$ 100 mil mais rica.

Por fim, o prêmio era tão imprevisível este ano que foi parar nas mãos de um rapaz que substituiu outro participante em cima da hora e só chamou a atenção quando as belas moças da casa tentaram fazê-lo cair em tentação e trair a namorada, que estava do lado de fora do BBB 8. Rafinha foi, realmente, o grande sortudo do programa. Além de ter ganho carros, computadores, uma moto e vários outros prêmios em gincananas dos patrocinadores, ele levou o cobiçado R$ 1 milhão. O jovem músico pretende lançar sua banda de rock em grande estilo e sua fama (ainda que momentânea) vai ajudar bastante.

Pois é, mais um BBB acabou e, por mais que digam que o reality show já esteja esgotado, ainda é comentado por todo mundo, como escrevi num post anterior. Agora é aguardar a próxima edição em 2009, já anunciada pelo Pedro Bial.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Eddie Murphy: Entre a cruz e a caldeirinha

Na semana passada, a Globo exibiu na Tela Quente a reprise de Mansão Mal-Assombrada, uma tentativa da Disney de transformar um brinquedo de seu parque em uma franquia de sucesso nos cinemas, assim como foi com Piratas do Caribe. Mas o filme, dirigido por Rob Minkoff (um dos diretores de O Rei Leão), mereceu o fracasso retumbante que foi em todo o mundo por não ter uma boa história, é sem graça e não tinha um personagem carismático como Jack Sparrow de Johnny Depp.

Por que estou escrevendo sobre esse filme? Porque ele é uma espécie de símbolo do que se tornou a carreira de Eddie Murphy nos últimos 15 anos pelo menos. No post que escrevi sobre o Oscar, comentei que o ator não consegue fazer um bom filme em que ele faz apenas um personagem há bastante tempo e algumas pessoas ficaram contrariadas com a minha observação. Chegaram até a citar filmes que gostaram com ele, como Trocando as Bolas e Um Tira da Pesada. O problema é que esses filmes foram realizados na década de 80. Ou seja, há mais de 20 anos que Murphy não faz filmes que sejam marcantes para o grande público. Talvez a nova versão de O Professor Aloprado, clássico de Jerry Lewis, nos anos 90, seja a última produção que é lembrada com carinho pelos espectadores. Mas mesmo esse filme se vale de uma excelente maquiagem (premiada com o Oscar) e da capacidade de Murphy fazer vários personagens numa mesma cena.

Só que tudo que é demais enjoa e Eddie Murphy (que começou a fazer múltiplas performances em Um Príncipe em Nova York, em 1988), quando não faz um filme em que apareça multiplicado graças a efeitos computadorizados, faz produções infantis como Dr Doolittle e A Creche do Papai. Ele até ensaiou uma mudança em sua carreira ao viver um cantor de temperamento difícil em Dreamgirls, há dois anos atrás. Mas ele caiu em tentação e logo depois surgiu como três personagens no horrível Norbit. Há quem diga que foi por causa deste filme que ele perdeu o Oscar de Ator Coadjuvante, que foi para as mãos de Alan Arkin, de Pequena Miss Sunshine. Murphy também foi premiado, mas com a Framboesa de Ouro este ano, conseguindo a proeza de ganhar os prêmios de pior ator, pior ator coadjuvante e (pasmem!!!) pior atriz coadjuvante pelos três papéis que viveu em Norbit.

Enfim, Eddie Murphy parece que está numa encruzilhada. Ele pode continuar a viver personagens engraçadinhos em filmes infantis ou tentar retornar à boa forma do humor que realizava nos anos 80. Mas por favor, sem precisar ressuscitar O Professor Aloprado ou Um Tira da Pesada, tá?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quando MJ era rei

Ontem, ao assistir o Jornal Hoje, fui informado que Michael Jackson pode perder o rancho Neverland, sua famosa propriedade onde ele construiu seu império como Rei do Pop e um grande parque de diversões para crianças que ele, eventualmente, hospedava para passar um tempo com ele. Jackson está endividado e pode não ter o dinheiro no prazo para pagar seus débitos. Mais uma triste notícia para quem teve o mundo da música aos seus pés.

No mesmo dia, alguns minutos depois, o Multishow passou o programa Bastidores, cujo tema era o lançamento da edição especial de 25 anos de Thriller, o álbum que consagrou de vez o talento de Michael Jackson e se tornou o disco mais vendido de todos os tempos. É curiosa a visão que a mídia tem do cantor. De um lado, um respeito e uma admiração grandes e duradouros. Do outro, uma vontade louca de destruir o astro por seus atos excêntricos. Tudo bem, fatos são fatos. Ele realmente tem uma quedinha pela insanidade, ao julgar suas inúmeras operações plásticas (que ele jura que foram só duas) e sua obsessão em se tornar branco. O problema é que Michael, mesmo com tudo que pode fazer, parece sofrer de uma enorme baixa estima.

Mas esse post não é para discutir ou levantar questões psicológicas sobre as maluquices de Michael Jackson. Eu seria leviano. Mas, sim, para analisar algo fantástico em relação à sua mais famosa obra. Lançado em 1982, mas só descoberto pelo grande público um ano depois, Thriller ainda é uma referência para os amantes da música pop americana. Suas músicas, em especial a trinca formada por Billie Jean, Beat it e a faixa-título, são até hoje adoradas mesmo por quem nem sequer tinha nascido na época. Mas também há outras canções, como Wanna Be Startin' Somethin', The Girl is Mine (com o ex-Beatle e ex-amigo Paul McCartney) e Human Nature que merecem destaque. Com Thriller, Michael Jackson se tornou o grande nome da música negra americana e conseguiu grandes feitos. Um deles foi ser o primeiro artista negro a ter um vídeoclip exibido na MTV nos EUA.

Falando em clipes, um capítulo à parte foi a produção e o lançamento do vídeoclip de Thriller. Querendo fazer algo diferente, Michael Jackson chamou o diretor John Landis para dirigi-lo, após assistir ao filme Um Lobisomem Americano em Londres, dirigido por ele. Os dois realizaram uma obra única, tanto pela duração (14 minutos, algo nunca feito até então), quanto pela inovação de unir o cinema ao vídeo musical. O resultado é que muita gente ficou assustada com o prólogo de Thriller (inclusive eu, admito), onde Jackson vira lobisomem e assusta a pobre namorada. Depois as pessoas ficavam aliviadas ao saber que era só um filme que Jackson está assistindo com uma garota (vivida pela sumida Ola Ray) e, após saírem do cinema, os dois são cercados por zumbis. Michael acaba virando um deles e faz uma dança antológica, que fez muita gente imitar a coreografia. Se as pessoas hoje saem por aí copiando a Dança do Créu, imagina nos anos 80.

O lançamento da edição especial de Thriller pode criar uma nova legião de fãs, além de deixar os antigos admiradores muito felizes. Além das faixas originais, há novas versões dos hits que contam com participação de cantores famosos na atualidade (como Akon e Kayne West) e uma canção inédita. Como bônus, também tem um DVD com os clipes das músicas do disco, incluindo o clássico Thriller. Uma bela aquisição para quem quer saber (ou matar as saudades) do tempo em que Michael Jackson era notícia somente pela (ótima) música e pelos seus passos de dança, e não por acusações de crimes sexuais.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Ganham Oscars

É isso aí, mais um Oscar se encerrou. Mais uma vez previsões se concretizaram, algumas surpresas surgiram, alguns musicais se mostraram constrangedores (o que foi aquele coral falsamente com atitude da música de O Som do Coração?). Mas mesmo assim, eu não aprendo. Assisti até o último minuto e até vibrei com a premiação dos Coen, embora isso foi barbada, como antecipei no post anterior.

A cerimônia foi muito bem conduzida pelo Jon Stewart, que fez até algumas boas piadas, como a que o filme Longe Dela é o favorito de Hillary Clinton, já que a protagonista tem Mal de Alzheimmer e vai se esquecendo do marido, como ela gostaria de fazer com o seu, Bill Clinton. Não houve grandes percalços, além de dois escorregões do ator Colin Farrel e da jovem Miley Cyrus (a Hannah Montana) no palco e da gaguejada da bela Katherine Heigl, de Ligeiramente Grávidos, na hora de anunciar um prêmio.

Mas vamos ao que interessa. Como escrevi anteriormente, acertei algumas previsões e errei outras, mas não falhei tanto assim. Apontei que Julie Christie iria ganhar por Melhor Atriz, mas assinalei que Marion Coutillard seria a única com chances de tirar a estatueta de suas mãos. A francesa foi uma das únicas pessoas premiadas que demonstrou surpresa ao ouvir Forrest Whitaker chamar seu nome no Kodak Theater. Assim como Tilda Swinton, que derrotou a favorita Cate Blanchett, ao ganhar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Conduta de Risco. Ao subir ao palco, ela fez o comentário mais engraçado sobre a estatueta ao compará-la a seu agente nos EUA, que tinha a mesma careca e o mesmo bumbum. Tilda, aliás, estava com um penteado e um vestido que, mesmo quem não é ligado em moda (como eu), não pôde deixar de reparar nela pela excentricidade.

Entre os meus acertos, o prêmio de Melhor Roteiro para Juno, da ex-stripper Diablo Cody, era bem óbvio, já que, assim como Pequena Miss Sunshine em 2007, o filme se tornou a grande sensação popular deste ano. Parece que foi uma consolação, já que não tinha chances de vencer nas categorias mais nobres. Javier Barden, como escrevi no post anterior, era a uninimidade da noite e seu Oscar de Ator Coadjuvante era mais do que esperado. Curiosamente, ele estava acompanhado da mãe, a quem agradeceu o prêmio, e parte de seu discurso foi em espanhol. Vamos ver o que o futuro em Hollywood reserva para ele. Daniel Day-Lewis, ao ser anunciado como Melhor Ator, fez questão de cumprimentar George Clooney e fez uma brincadeirinha ao se curvar diante de Helen Mirren, que anunciou o prêmio, por causa de sua atuação em A Rainha. Já os Coen levaram os Oscars de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção e Melhor Filme. Enquanto Joel tentava fazer um discurso mais eloqüente, seu irmão Ethan só conseguia rir e dizer "obrigado", mostrando um estranho contraste de comportamento entre os dois. Mas os dois merecem, não só por Onde os Fracos Não Têm Vez, como também pelo conjunto da obra.

Nas áreas técnicas, achei ótimo (e previsível) a vitória de Ratatouille como melhor animação, embora não tenha visto Persépollis e achei bem bolado Tá Dando Onda. Uma das surpresas da noite foi a derrota de Transformers em Melhores Efeitos Especiais para A Bússola de Ouro, embora não seja totalmente injusto, já que os efeitos são o ponto forte dessa produção que decepcionou muita gente. O Ultimato Bourne é que acabou se dando bem ao vencer três categorias técnicas (Som, Efeitos Sonoros e Montagem) e deixou os robôs-carros de Transformers comendo poeira. Ah, sim, também gostei da derrota das três músicas de Encantada para a mais simples e mais interessante de Once em Melhor Canção Original. Aliás essa tem sido uma tendência da Academia dar o Oscar para canções menos exageradas. Em Melhor Maquiagem, apesar de admirar Rick Baker, foi bom ele não ter ganho pelo horrível Norbit (quando é que Eddie Murphy vai fazer uma boa comédia em que ele apareça fazendo apenas UM personagem?). O trabalho de Piaf - Um Hino ao Amor era realmente superior.

Agora é aguardar o que 2008 trará de bom para o cinema americano e ficar até tarde assistindo ao próximo Oscar em 2009.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Palpites do Oscar

Pois é, o Oscar é amanhã, dia 24, e só agora resolvi escrever sobre ele, que é mesmo o prêmio mais cobiçado, mais desejado do mundo do cinema. Apesar de muita gente desdenhar da cerimônia da premiação, das piadas sem graça na maioria e dos modelitos usados pelas estrelas (o meu favorito é, até hoje, o da Björk de vestido de cisne, em 2001), as pessoas acabam se interessando em saber quem foi o melhor filme, ator ou atriz.

Como faço todo ano, eu acompanho a transmissão do Oscar pela TV (quem sabe um dia não vejo de perto, lá nos EUA?) e chego até a torcer por alguns premiados, mesmo já sabendo que suas chances de ganhar são quase de 100%. Foi o caso do Scorcese, no ano passado, por Os Infiltrados. Como sou muito fã do diretor, achava injusto ele nunca ter ganho o Oscar e ter perdido para gente como Kevin Costner(?!?!) em anos anteriores.

Mas neste ano, há uma sensação de mistério sobre quem a Academia irá entregar a tão sonhada estatueta careca. Apesar da imprensa ter já criado alguns favoritismos, nada está totalmente garantido. Mesmo assim, resolvi escrever sobre os possíveis ganhadores, e arriscar algumas explicações:

Melhor Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez está como quase imbatível nessa categoria. O filme, apesar de não ter ganho o Globo de Ouro, venceu a maioria dos festivais que disputou e coroa a bem-sucedida parceria dos irmãos Joel e Ethan Coen, apesar de alguns pontos baixos, como O Amor Custa Caro e Matadores de Velhinha. Mesmo assim, os dois mais acertaram do que erraram em suas carreiras e, desde Fargo em 1997, nunca tiveram tantas críticas positivas. Os únicos filmes que podem estragar a festa dos Coen são Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, e Desejo e Reparação, de Joe Wright, que ganhou o Globo de Ouro. Mas há uma corrente muito popular por Juno, de Jason Reitman, embora a Academia não premia uma comédia há décadas.

Melhor Diretor: Mais uma vez Joel e Ethan Coen. Há muito tempo que o estilo de direção dos dois irmãos (embora, curiosamente, só Joel é creditado como diretor) é bastante elogiado pelos fãs do cinema. Talvez agora a Academia reconheça o trabalho dos dois e eles saiam com mais um Oscar debaixo de seus braços. Paul Thomas Anderson vem logo na cola deles e também tem chances. Mas pode haver uma zebra e Julian Schnabel, por O Escafandro e a Borboleta, seja o vencedor, já que ganhou o Globo de Ouro este ano.

Melhor Ator: Daniel Day-Lewis, aparentemente, só não leva o seu segundo Oscar se houver uma catástrofe. A interpretação do barão do petróleo inescrupuloso conquistou praticamente todos os principais prêmios do ano. Até mesmo George Clooney, apontado como possível adversário à altura de Day-Lewis, entregou os pontos. Numa entrevista recente, ele se comparou a Hilary Clinton , que provavelmente vai perder para Barack Obama a corrida para ser o candidato democrata às eleições presidenciais nos EUA. Sorry, Johnny Depp. Ainda não vai ser desta vez.

Melhor Atriz: Julie Christie estava há muito tempo esquecida do grande público e fazia apenas papéis pequenos, como a mãe de Brad Pitt em Tróia. Mas ao viver uma mulher que sofre do Mal de Alzheimer em Longe Dela, dirigido pela ótima atriz Sarah Polley, ela voltou a ser reconhecida e tem grandes chances de ganhar o Oscar. Mas há uma corrente para que a francesa Marion Coutillard, que faz uma performance incrível em Piaf: Um Hino ao Amor, leve a estatueta. Tem também quem acredite que a gracinha Ellen Page, que vive a personagem-título de Juno, seja a vencedora. O jeito é conferir.

Melhor Ator Coadjuvante: Se há alguma unanimidade na edição 2008 do Oscar, ela tem nome e sobrenome: Javier Barden. O espanhol é o franco-favorito para ganhar o Oscar de ator coadjuvante ao interpretar o assassino Anton Chigurh em Onde os Fracos Não Têm Vez. Os outros indicados, como o já premiado Philip Seymour Hoffman e o joven Casey Affleck, têm pouquíssmas chances de atrapalhar a consagração de Barden.

Melhor Atriz Coadjuvante: Cate Blanchett pode levar nessa categoria, o que provavelmente não conseguirá na de Melhor Atriz, onde está também indicada por Elisabeth: A Era de Ouro. A composição que faz de uma das fases do cantor Bob Dylan é impressionante e o grande destaque do filme Não Estou Lá, dirigido por Todd Haynes. Quem pode tirar o Oscar de suas mãos é Tilda Swinton, por Conduta de Risco, Ruby Dee, vencedora do Globo de Ouro por O Gângster (filme injustamente esquecido nas categorias principais), ou mesmo a menina Saoirse Ronan, por Desejo e Reparação.

Bem, poderia escrever sobre outras indicações, mas aí o post ficaria grande demais, não é mesmo? Depois do Oscar escreverei minhas opiniões a respeito da premiação. Até lá.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Ursos e Urubus

Pois é. Mais uma vez dei um bom tempo das postagens. Mas não porque quis. Eu simplesmente tento dar conta de tanta coisa que acabo sem tempo (ou maiores inspirações) para escrever. Só que dessa vez, não tinha desculpa. Ainda mais por causa de duas grandes coisas que aconteceram no final de semana passado.

A primeira delas, foi uma grande (e agradável) surpresa: A premiação de Tropa de Elite como melhor filme no Festival de Berlin. Apesar de ter resistido bravamente, e não ter visto o filme em cópias piratas (algo que praticamente todo mundo que conheço fez), ainda não consegui assisti-lo nos cinemas. Mas como já soube que ele vai voltar ao circuitão por causa do Urso de Ouro, agora finalmente poderei conferir o Capitão Nascimento e seus comandados na telona. De qualquer forma, fico muito feliz de que a produção dirigida por José Padilha tenha sido reconhecida, apesar dos percalços que passou. Por exemplo, a exibição oficial com legendas em alemão e tradução simultânea que (provavelmente) tornou o filme de difícil compreensão para a imprensa internacional, já que muitos jornalistas criticaram duramente Tropa de Elite. Mas não se pode negar que um filme, que se enraizou na sociedade brasielira, fazendo várias expressões usadas pelos personagens cairem no gosto popular, é um grande achado. Como ainda não vi o filme, não posso falar da direção e do tal realismo que muitos ressaltam. Mas com certeza escreverei minha opinião assim que sair do cinema. Enfim, parabéns a Padilha e sua equipe por dar uma alegria ao nosso país e espero que a produção nacional continuem a realizar grandes filmes para o Brasil e para o mundo.

A segunda coisa foi a vitória do meu Mengão sobre o Vasco na semifinal da Taça Guanabara. Muitos desconfiam do time comandado por Joel Santana e já acusaram de falhas de arbitragem no jogo, especialmente no gol de Fábio Luciano, que teria empurrado Vílson para cabeçear livre na pequena área. Mas se o jogador do Vasco não expressou nada no lance, lamento muito. O que pareceu é que ele não sentiu que foi uma infração. Aliás devo dar os parabéns ao Fábio Luciano, que jogou boa parte do jogo com o braço contundido após dividir a bola com Edmundo, mas teve raça e vontade para reagir e iniciar a festa rubro-negra. Só lamento a cabeçada na trave de Souza, que tornaria, com certeza, as coisas mais fáceis.

Para terminar, não posso deixar de agradecer a três pessoas: Ronaldo Angelim, o goleiro Bruno e, especialmente, Edmundo. Se não fosse por sua péssima cobrança de pênalti, quando o jogo estava 1 x 1, Bruno não faria uma ótima defesa, o Flamengo não se imporia na partida e Ronaldo Angelim não teria virado o jogo com seu gol. Depois ele disse que não estava em reais condições de jogar o clássico. Para mim, isso parece, como se dizia antigamente, conversa para boi dormir.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vale o que vier

Parece que a Globo quer mesmo transformar janeiro no mês dos futuros famosos, aqueles que você talvez nunca tenha ouvido falar antes, mas não pode deixar de saber sobre eles. Em breve, o assunto das rodinhas de discussão no trabalho, nas festas, nos clubes e até entre quatro paredes com a pessoa amada será o mesmo: O que rola na casa do BBB 8.

Você pode até estranhar, reclamar e bater o pé dizendo que não se interessa pelo reality show. Mas verdade seja dita (no caso aqui, escrita): Infelizmente não tem como escapar da avalanche de informações sobre os participantes do programa, quem azarou quem, quem bebeu todas e armou barraco ou de quem apareceu em algum flagra indiscreto. Por causa disso, em algum momento você terá falado com alguém sobre assunto que ao mesmo tempo interessa a todos e não tem importância nenhuma.

O que mais impressiona no BBB é a obsessão das pessoas em participar do programa, na esperança de ser descoberto por um grande diretor de TV ou um empresário da mídia para dali sair como um artista famoso, uma celebridade. Esse desejo torna até o prêmio de R$ 1 milhão insignificante. O problema é que podemos contar nos dedos do Lula quantos realmente se tornaram bem-sucedidos, onde a principal estrela foi mesmo a bela Grazi Massafera, que se tornou uma bela imagem para publicidade e até conquistou mais fãs ao fazer a novela Páginas da Vida. Mesmo assim, a busca pelo sucesso "fácil" oferecido pelo programa continua a pleno vapor.

Assim, é um pouco triste ver pessoas sem talento algum fazendo vídeos constrangedores sobre suas supostas qualidades, como cantar, dançar ou mesmo posar para fotos. O material acaba, na maioria das vezes, sendo exibido como motivos de piada em programas como o Vídeo Show e o Nem Big Nem Brother. Nesta última edição, foi criada uma nova forma de inscrição para o reality show: um tipo de Orkut, onde candidatos criavam perfis com tudo a que tinham direito para tentar convencer a equipe do BBB a selecioná-los para entrar na casa. A coisa, que já não era boa, ficou pior.

Surgiram candidatos de todo o tipo e as apelações foram de um gosto cada vez mais discutível. Teve até uma modelo, conhecida por posar para revistas masculinas, que colocou na foto principal de seu perfil uma imagem que mostrava a região favorita dos homens brasileiros. Até aí tudo bem, vão dizer que vale qualquer coisa para alcançar seus objetivos nesse caso. Exceto por um detalhe: O bumbum apresentado era de outra pessoa!!! No caso da ex-Salva Vidas do Caldeirão do Huck, Ana de Biase.

Agora que o programa começou, li uma matéria que mostra exatamente a falta de limites e de ridículo que uma pesssoa pode ter. Uma estudante do Piauí gastou mais de R$ 10 mil para ter uma chance no BBB 8. Ela chegou a ficar só de lingerie numa shopping center de Teresina só para chamar a atenção dos outros e perdeu o namorado, que não agüentou tamanha loucura. Resultado: Não foi selecionada, ficou endividada e provalmente sofrerá por causa de muitas brincadeirinhas e provocações que irá ouvir dos outros.

Quem quiser saber mais sobre essa história, acesse o link http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL253133-7084,00-ESTUDANTE+GASTOU+R+MIL+PARA+TENTAR+VAGA+NO+BBB.html

P.S. O título desta postagem vem da música Vale Tudo de Tim Maia, que dá título ao livro que Nelson Motta escreveu sobre o Síndico. Ainda não li, mas não vejo a hora.